Sanções não deterão programa nuclear, avisa Irã

TEERÃ - O porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores do Irã, Ramin Mehmanparast, disse nesta terça-feira que novas sanções não impedirão que o país siga em frente com seu programa nuclear pacífico.

iG São Paulo |

Na manhã desta segunda-feira em Teerã, Mehmanparast afirmou: "Não vamos abandonar nosso programa nuclear pacífico."

O porta-voz disse também que "as resoluções (que incluírem sanções) contra o Irã não serão capazes de solucionar problemas, mas provocarão vários aos países que as aprovarem".

"Se pensam que com essas resoluções o povo iraniano dará um passo atrás (em seu programa nuclear), estão enganados", acrescentou.

Mehmanparast afirmou que políticas desse tipo aplicadas contra o Irã nos últimos 31 anos fracassaram, já que os países que as adotaram "não conhecem bem o povo iraniano".

O porta-voz também voltou a dizer que o programa nuclear de seu país é totalmente pacífico e respeita as normas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Ameaça de novas sanções

As declarações foram feitas depois de o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, ter defendido nesta terça-feira que novas sanções contra o país sejam adotadas nas próximas semanas .

Além disso, o primeiro-ministro israelense, Benyamin Netanyahu, também pressinou a comunidade internacional a adotar medidas severas contra Teerã por seu programa nuclear .

Os pedidos de novas sanções aumentaram depois que o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, anunciou no domingo que o país começaria a enriquecer urânio a 20%. Segundo cientistas iranianos, o procedimento foi iniciado nesta terça-feira na região central do país .

A decisão do Irã de enriquecer urânio a 20% , anunciada após meses de infrutíferas negociações com países do Ocidente, multiplicou as suspeitas sobre o programa nuclear do Irã.

Atualmente o Irã enriquece urânio em um nível de 3,5%, mas são necessários 20% para o funcionamento do reator nuclear de Teerã, desenhado para produzir isótopos para fins medicinais. Para construir uma bomba atômica, é necessário ter urânio enriquecido em ao menos 90%.

Países como Estados Unidos, Israel, França, Alemanha e Reino Unido acusam Teerã de esconder um projeto de natureza clandestina e com aplicações bélicas, cujo objetivo seria a aquisição de um arsenal nuclear, o que o Irã nega.

O conflito se agravou no final do ano passado, depois que Teerã rejeitou uma proposta de Washington, Paris e Moscou para enviar seu urânio a 3,5% ao exterior e recuperá-lo depois enriquecido a 20%, nas condições necessárias para manter seu reator nuclear civil na capital em operação.

O Irã afirma ser a favor da troca, mas exige que ela ocorra em seu território e se faça de maneira escalonada, condições que a outra parte não aceita.

*Com informações da Reuters, AFP e EFE

Veja o processo completo para o enriquecimento de urânio:

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