Sanções e defeitos atrasam programa nuclear do Irã, diz relatório

Informe de entidade americana diz que país pode ter condições de instalar mil centrífugas, mas vários fatores atrasam cronograma

iG São Paulo |

Os defeitos de fabricação e os problemas para obter peças de reposição provocados pelas sanções internacionais atrasam consideravelmente o programa nuclear iraniano, afirmou um informe publicado na noite de segunda-feira por uma entidade norte-americana.

EFE/Arquivo
Usina nuclear de Bushehr, no Irã

Em um relatório que coincide com o aumento da tensão entre o Irã e o Ocidente, o Insituto para a Ciência e a Segurança Internacional (Isis, na sigla em inglês) disse que o programa também foi afetado no fim de 2010 pelo vírus informático Stuxnet e que os problemas enfrentados pelo Irã afetam principalmente as centrífugas.

O enriquecimento de urânio - produzido por centrífugas em uma velocidade supersônica para elevar a concentração de isótopos físseis - está no epicentro do confronto de longa data entre Irã e a comunidade internacional, que teme que Teerã, apesar de negar por diversas vezes, esteja tentando adquirir armas nucleares. O comunicado diz que a república islâmica pode ter condições de instalar mil centrífugas novas no próximo ano, mas "vários fatores atrasam seu cronograma".

Segundo o documento, uma aplicação mais forte das sanções da ONU "pode criar obstáculos na capacidade do Irã de aumentar substancialmente o número dessas máquinas e de obter o equipamento necessário para substituir as centrífugas defeituosas".

Os países ocidentais afirmam que o programa iraniano de enriquecimento nuclear não faz sentido do ponto de vista comercial. O Irã diz que precisa refinar urânio para suprir uma rede planejada de usinas nucleares no país. Sua única central em operação , em Bushehr, foi construída pela Rússia e é abastecida com urânio enriquecido de origem russa.

A Isis afirmou ser improvável que o complexo de enriquecimento de Natanz "sequer produza suficiente LEU (urânio de baixo enriquecimento) para um reator de energia nuclear do tamanho de Bushehr".

Especialistas ocidentais dizem que apesar das dificuldades técnicas, o país continua acumulando LEU e os peritos afirmam que agora já tem material suficiente para pelo menos duas bombas se for refinado ainda mais, no caso de se decidir a fazer isso. Segundo a Isis, a média de produção mensal de LEU aumentou, mas o número de centrífugas cresceu de forma desproporcional.

Tensão

A tensão entre o Ocidente e o Irã foi intensificada na última semana, quando os Estados Unidos disseram ter frustrado um suposto complô para assassinar o embaixador saudita . Segundo o Departamento de Justiça americano, o plano teria sido "concebido" no Irã, pelas forças Quds, parte da Guarda Revolucionária Iraniana.

De acordo com o governo dos EUA, um dos acusados, que está preso, contatou sem saber um informante americano do Departamento de Narcóticos que fingia ser um membro de cartel de drogas mexicano para perguntar-lhe sobre seus conhecimentos sobre explosivos. Depois de diversos encontros no México, gravados secretamente por autoridades americanas, ele ofereceu US$ 1,5 milhão pelo assassinato, que provavelmente seria concretizado em um restaurante.

Nesta terça-feira, o Reino Unido apoiou os EUA, que tentam pressionar a comunidade internacional para impor sanções ao país persa, e congelou os bens de cinco iranianos supostamente envolvidos no complô. Esses cinco suspeitos já tinham enfrentado uma retaliação semelhante dos EUA na semana passada.

Na segunda-feira, o governo do Irã afirmou estar disposto a examinar as acusações dos EUA . "Estamos preparados para examinar qualquer assunto, mesmo se fabricado, com seriedade e paciência, e pedimos aos EUA que nos enviem qualquer informação relativa ao caso", disse o chanceler iraniano, Ali Akbar Salehi, segundo a agência oficial iraniana Irna.

O chanceler voltou a afirmar que o Irã pediu aos americanos informações sobre os envolvidos "para identificar seu passado e examinar o caso", mas destacou que as acusações de Washington não têm uma base sólida e apontam para a "criação de uma história" para aumentar a pressão sobre Teerã.

Com AFP, EFE e Reuters

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