Sanções contra o Zimbábue são vetadas na ONU

Uma proposta de resolução para impor sanções contra o presidente do Zimbábue, Robert Mugage, e diversos aliados de seu governo foi vetada nesta sexta-feira no Conselho de Segurança da ONU. A proposta recebeu nove votos favoráveis, mas foi rejeitada por cinco países, entre eles Rússia e China, que são membros permanentes do conselho, e África do Sul.

BBC Brasil |

A Indonésia se absteve de votar.

As medidas propostas incluíam a proibição da venda de armas para o país, além do congelamento de ativos financeiros no Exterior e da restrição de viagens internacionais para Mugage e 13 membros do governo.

Também estava prevista a escolha de um enviado especial da ONU para o Zimbábue.

Condenação
A posição da Rússia e da China foi condenada pela Grã-Bretanha e pelos Estados Unidos.

O ministro de Relações Exteriores britânico, David Miliband, disse que a atitude dos dois países era "incompreensível".

Miliband afirmou ainda que a Rússia usou seu veto apesar de uma promessa do presidente russo, Dmitry Medvedev, de apoiar a resolução, feita quando o assunto foi discutido na reunião de cúpula do G8, no Japão, nesta semana.

O embaixador dos Estados Unidos na ONU, Zalmay Khalilzad, disse que o veto da Rússia levanta "questões sobre a sua confiabilidade como parceira no G8".

A Rússia e a China disseram ter vetado as sanções porque a crise no Zimbábue não ameaça a estabilidade internacional.

Em entrevista à BBC, o embaixador do Zimbábue na ONU, Boniface Chidyausiku, disse que "a razão prevaleceu".

"As pessoas conseguiram ver as maquinações de Washington, Londres e da França", disse Chidyausiku.

Pressão
O presidente do Zimbábue vem enfrentando crescente pressão internacional desde que foi reeleito para o sexto mandato, no final do mês passado, em uma votação polêmica e marcada pela violência.

Mugabe concorreu sozinho no segundo turno, depois que o líder da oposição, Morgan Tsvangirai, decidiu boicotar o pleito por causa da violência sofrida por seus partidários.

No primeiro turno, realizado em março, Tsvangirai obteve mais votos que Mugabe, mas não os 50% necessários para evitar um segundo turno.

A oposição afirma que desde março 113 de seus partidários foram mortos, cerca de 5 mil estão desaparecidos e mais de 200 mil pessoas foram obrigadas a abandonar suas casas para fugir da violência.

O governo do Zimbábue nega as acusações e culpa a oposição pela violência. Também acusa os países ocidentais de interferência em seus assuntos internos.

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