San Francisco decide no dia 4 de novembro se descriminaliza a prostituição

Paula Gil. San Francisco, 25 out (EFE).- A cidade de San Francisco é mundialmente famosa por sua tolerância, mas, no dia 4 de novembro, seus cidadãos decidirão nas urnas uma espinhosa questão que, para muitos, ainda é tabu: descriminalizar ou não a prostituição.

EFE |

Coincidindo com as eleições presidenciais, a cidade votará nesse dia uma série de propostas entre as quais se encontra a Proposição K, que impediria as forças da ordem locais de prender ou investigar a ninguém por vender seu corpo.

A Proposição K não legaliza tecnicamente a prostituição porque ainda continuaria estando proibida sob as leis do estado, mas acabaria com as detenções de prostitutas em San Francisco.

Seus defensores afirmam que a medida economizará cerca de US$ 11 milhões que a Polícia local gasta cada ano em prender ou perseguir a quem exerce a prostituição e permitirá que os profissionais do sexo se associem para defender seus direitos.

As forças da ordem detiveram em 2007 1.583 pessoas dedicadas à prostituição na cidade e se esperam números similares em 2008.

Noventa e cinco por cento dos detidos são libertados pouco depois com apenas uma multa.

Para Carol Leigh, uma das porta-vozes da plataforma a favor do sim e co-fundadora da associação Bay Area Sex Workers Advocacy Network, a Proposição K "daria apoio para que os profissionais do sexo não tenham que se esconder".

Leigh, que trabalhou como prostituta, artista e ativista desde os anos 70 - sendo considerada, inclusive, criadora do termo "trabalhador do sexo" - acredita que a medida tem "muitas possibilidades de seguir adiante".

Na cidade vizinha de Berkeley, um plebiscito similar realizado em 2004 fracassou estrondosamente, mas a plataforma a favor da descriminalização acredita que a medida tem mais probabilidades de triunfar em San Francisco.

No final das contas, a cidade é um reduto da tolerância e pioneira na luta pelos direitos dos homossexuais nos EUA. Cada ano, por exemplo, milhares de pessoas participam de sua feira do sadomasoquismo, realizada a plena luz do dia em uma movimentada rua do centro.

Segundo uma pesquisa de 2004, a mais recente sobre o tema, 54% dos moradores de San Francisco estaria a favor de descriminalizar a prostituição, contra 33%.

Se ganhar, San Francisco se transformaria na primeira grande cidade dos EUA em descriminalizar totalmente a prostituição, que já é legal em algumas comunidades rurais de Nevada e no estado de Rhode Island, embora não na rua nem em bordéis.

Embora o partido democrata local apóie a medida, tanto o prefeito Gavin Newsom como o procurador-geral, o departamento de Polícia, a comunidade empresarial e todos os grandes periódicos locais estão contra.

Argumenta-se que a descriminalização transformaria a cidade em um ímã para profissionais do sexo, beneficiaria os cafetões, aumentaria a insegurança e tornaria quase impossível descobrir pessoas obrigadas a exercer a prostituição.

"Se não podemos investigar a prostituição é difícil que descubramos as vítimas do tráfico de pessoas", disse à imprensa americana Al Pardini, responsável pela divisão de narcóticos e brigada antivício da Polícia de San Francisco.

Para Leigh, estes argumentos não são sólidos pois opina que a repressão não é eficaz para combater este delito.

"As detenções e a repressão não funcionam", disse Leigh à Agência Efe. "Quando mulheres estrangeiras obrigadas a exercer a prostituição neste país são detidos, a única que fazem é deportá-las, com o que voltam a seus lugares de origem com uma enorme dívida".

Leigh acredita que, de fato, a Proposição K ajudaria a combater o tráfico de pessoas e que "as iniciativas baseadas nos direitos humanos, incluindo a descriminalização, são muito mais eficientes".

EFE pg/ma

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