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Sambas expõem medo da violência no Rio, diz El País .

O mundo do samba no Rio de Janeiro, que tem seu maior eco e melhores intérpretes nas favelas, não faz outra coisa a não ser captar o clima de violência que tortura os cidadãos, afirma um artigo publicado nesta terça-feira pelo jornal espanhol El País. O jornal destaca que o samba sempre foi uma expressão fiel das distintas fases atravessadas pelo Brasil.

BBC Brasil |

"A morte, no sábado passado, do precursor da Bossa Nova, Dorival Caymmi, fez recordar como até à chegada deste estilo musical as letras de samba eram impregnadas de pessimismo", diz o artigo, assinado pelo correspondente do jornal espanhol no Rio de janeiro, Juan Arias.

Na avaliação do correspondente, as canções de samba sempre foram "crônicas sociais, de indignação do cidadão, o que faz do Rio uma das cidades mais cantadas do mundo".

"Neste momento, o samba está expondo o medo dos cariocas frente à violência. Martinho da Vila, sambista de 70 anos, lamenta como de uma descrição romântica da cidade, se está passando ao realismo da violência urbana, da qual se faz refém".

O texto ainda cita uma das letras do compositor Jorge Aragão, "cujos ritmos de samba já foram até tocados em Marte, durante uma missão da Nasa em 1997".

"Ele se diz envergonhado do Rio", diz o artigo. "E se queixa em uma de suas letras: Iraque é aqui /Tá pegando aqui dentro /O Iraque é aqui / O povo tá com medo".

Mas, apesar dos poemas doloridos, sambistas e cariocas guardam a fé, porque para eles "a esperança é a última que morre", afirma o jornal espanhol.

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