Rio de Janeiro, 17 jul (EFE).- O ex-banqueiro Salvatore Cacciola, condenado no Brasil por fraude financeira e desvio de fundos públicos, chegou hoje ao Rio de Janeiro após ser extraditado do principado de Mônaco e foi imediatamente preso e levado para uma prisão comum, informaram fontes oficiais.

Cacciola, que é considerado um ícone da impunidade no Brasil por causa da facilidade com que conseguiu evitar sua prisão e fugir para a Itália, onde permaneceu vários anos amparado por sua dupla nacionalidade, chegou na madrugada de hoje ao Rio de Janeiro escoltado por oito agentes da Polícia Federal e por um fiscal da Procuradoria.

O ex-banqueiro desembarcou longe dos fotógrafos e, sem ser algemado nem apresentado à imprensa, foi trasladado em carro comum.

Após chegar ao Rio de Janeiro por volta das 4h30, Cacciola desembarcou do avião em uma área da pista distante do terminal aéreo e foi levado à Superintendência da Polícia Federal, onde apresentou suas primeiras declarações e foi submetido a um exame médico.

Depois, foi levado para o presídio Ary Franco.

Segundo Carlos Eluf, um dos advogados do ex-banqueiro, seu cliente afirmou que está feliz por retornar ao Brasil e que confia na Justiça brasileira.

O advogado acrescentou que já solicitou outro habeas corpus ao Supremo Tribunal Federal (STF) para solicitar a liberdade condicional de seu cliente em um prazo máximo de dez dias.

Cacciola foi condenado em 2005 a 13 anos de prisão por sua responsabilidade na quebra do banco Marka e por ter se valido de recursos públicos para recuperar o capital que perdeu com a quebra da instituição financeira.

Em 1999, o banqueiro convenceu funcionários do Banco Central a concedê-lo um empréstimo para tentar evitar a quebra do banco e foi favorecido por uma operação ilegal que teve um custo de US$ 1,2 bilhão na época para os cofres públicos.

O Banco Central justificou a ajuda como uma forma de evitar uma quebra sistemática de outros vários bancos no momento em que o Brasil determinou uma forte depreciação de sua moeda.

Apesar do escândalo provocado pela quebra do banco e da ajuda ilegal do Banco Central, Cacciola passou poucos dias na prisão e foi colocado em liberdade graças a um habeas corpus concedido pelo STF.

O ex-banqueiro aproveitou sua libertação para viajar para a Itália em 2000, onde permaneceu foragido até o ano passado vivendo de forma normal, pois tem nacionalidade italiana e, portanto, não podia ser extraditado para o Brasil.

Cacciola só pôde ser detido quando, em setembro passado, realizou uma viagem a Mônaco e foi imediatamente detido pela Polícia Internacional, já que existia contra ele uma ordem de extradição que não era aplicada na Itália, mas sim em qualquer outro país europeu.

"Nunca fui um foragido. Viajei para a Itália com meu passaporte e saí do Brasil com meu passaporte e livre", afirmou o ex-banqueiro na primeira declaração que concedeu ao chegar ao Rio de Janeiro.

Apesar de alegar que estava contente por poder retornar ao Brasil, Cacciola tentou evitar sua extradição de Mônaco até o último momento.

Em 8 de julho, quatro dias após o príncipe Albert, de Mônaco, ter dado sinal verde para sua entrega ao Brasil, o ex-banqueiro tentou evitar a extradição com um requerimento diante do Comitê contra a Tortura da ONU. EFE cm/fh/fal

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