Salamandra pode indicar caminho para recuperação de amputados

Por Mica Rosenberg CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - Cientistas estão modificando geneticamente uma salamandra mexicana de aparência bizarra -- que, de acordo com a mitologia antiga é um deus asteca transformado -- na esperança de que a capacidade do animal em regenerar partes do corpo um dia ajude pessoas que sofreram amputação.

Reuters |

Também conhecido como "monstro da água", o axolote de 15 centímetros de comprimento está praticamente extinto em seu único habitat remanescente: os poluídos vestígios dos canais astecas que serpenteiam pelo sul da Cidade do México, repletos de barcos coloridos transportando turistas e músicos mariachi.

O viscoso animal, no entanto, sobrevive em laboratórios, onde se reproduz com facilidade. É um 'queridinho' dos pesquisadores, pois tem a capacidade de regenerar membros, pele, órgãos e partes do cérebro e da medula.

Outros animais têm capacidade de regeneração, mas apenas as salamandras são capazes de regenerar tantas partes tão diferentes repetidamente ao longo da vida.

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos fez uma doação de 6,25 milhões de dólares a cientistas que estudam a pequena criatura com o objetivo de um dia ajudar os mais de mil soldados que voltaram do Iraque e do Afeganistão com membros amputados.

Em um laboratório da Cidade do México, onde estudantes de biologia mapeiam o reduzido habitat do animal, um axolote cuja perna foi cortada por outro axolote já estava desenvolvendo um minúsculo membro, completo com pequenos dedos.

"Os humanos reparam tecido, mas não o reparam com perfeição, enquanto o axolote, sob determinadas condições de lesão, é capaz de entrar em um modo onde repete o processo do embrião", disse Elly Tanaka, do Centro para Terapias Regenerativas de Dresden, na Alemanha.

Tanaka conseguiu desenvolver axolotes por meio de engenharia genética usando um tipo mutante encontrado no meio ambiente sem pigmento da pele e inserindo um gene fluorescente de água-viva nas células da salamandra para ajudar na observação do processo de regeneração.

"A pele é clara, então é possível ver a proteína fluorescente dentro do animal vivo", disse Tanaka em uma entrevista por telefone. O objetivo é comparar com o processo de cicatrização humano.

Depois de uma amputação nas salamandras, diferentemente dos humanos, os vasos sanguíneos se contraem rapidamente e contêm o sangramento, as células da pele agem rapidamente para cobrir o local da lesão e formar o chamado "blastema", um grupo de células semelhantes às células-tronco que com o tempo se transforma na nova parte do corpo.

Trabalhando com cientistas que mapeiam o complexo genoma do axolote, que é 10 vezes maior que o genoma humano, Tanaka e seus colegas esperam descobrir o que permite a salamandra regenerar um membro.

Os humanos já têm a capacidade de regenerar as pontas dos dedos, caso elas sejam amputadas acima da articulação. Se o ferimento é limpo e tratado apropriadamente, um dedo pode retomar sua forma, a impressão digital e o tato.

Cientistas acreditam que em apenas uma ou duas décadas as partes humanas poderão ser regeneradas, de modo semelhante às da salamandra.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG