Sakineh não será executada nesta quarta-feira, diz ONG

Após alertar para execução iminente de iraniana, comitê afirma que "horário de execução no Irã acabou" e ela continua viva

iG São Paulo |

AP
Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada à morte no Irã
A iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada à morte por adultério e assassinato do marido, não será executada nesta quarta-feira, segundo informou o Comitê Internacional contra o Apedrejamento. Na terça-feira, grupos de direitos humanos manifestaram a preocupação de que a execução da iraniana acontecesse nesta quarta-feira.

Segundo a porta-voz do Comitê, Mina Ahadi, o "horário de execuções no Irã já acabou e Sakineh está viva".

"Ela continua na prisão", afirmou Aahadi, acrescentando que a iraniana pode ser executada a qualquer momento - "amanhã, nos próximos dias ou na próxima semana".

Várias organizações de apoio a Sakineh manifestaram nesta terça-feira na França o temor de que ela seja executada. Em comunicado, o ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, disse ter conversado sobre o caso com seu colega iraniano, Manouchehr Mottaki. "Ele me disse que o veredicto final do caso relacionado a Sakineh Ashtiani não foi pronunciado pela Justiça iraniana e que as informações sobre sua eventual execução não correspondem à realidade", escreveu Kouchner, que pediu ao governo iraniano que desista da execução.

Na terça-feira, o Itamaraty informou que o apelo humanitário do governo brasileiro em favor de Sakineh foi reiterado pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, em conversa com o chanceler do Irã, Manouchehr Mottaki, no último dia 22.

Na conversa, Amorim falou também sobre a questão nuclear e sobre os alpinistas norte-americanos que se encontram presos no Irã. O governo brasileiro chegou a oferecer asilo humanitário a Sakineh. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que, como cristão, não considera certo que um Estado condene uma pessoa à morte. O apelo, porém, teve alcance limitado porque o Brasil não interfere em questões internas de outros países.

Sakineh Mohammadi Ashtiani, 43 anos, foi condenada em 2006 a 10 anos de prisão pela acusação de cumplicidade no assassinato do marido e ao apedrejamento até a morte por várias acusações de adultério, segundo as autoridades iranianas.

A condenação provocou uma enorme campanha internacional para evitar a aplicação da pena, assim como vários questionamentos aos julgamentos.

Com EFE e Reuters

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