Saída de rival favorece esperanças eleitorais de Sarkozy

Ex-ministro do Meio Ambiente Jean-Louis Borloo anunciou que não vai se candidatar em abril do próximo ano

iG São Paulo |

As perspectivas incertas de reeleição do presidente francês Nicolas Sarkozy ganharam um pequeno incentivo nesta segunda-feira quando o popular ex-ministro do Meio Ambiente Jean-Louis Borloo, centrista, anunciou que não vai se candidatar em abril do próximo ano.

AFP
Foto tirada em 2008 mostra o presidente francês Nicolas Sarkozy ao lado do ex-ministro do Meio Ambiente Jean-Louis Borloo

Anunciada no domingo, a decisão de Borloo reduz o risco do voto conservador dividir-se, prejudicando Sarkozy. Mas analistas apontam que não pode ser considerado como certo que os partidários moderados de Borloo passem a apoiar o presidente.

Borloo, que disse não acreditar que tenha apoio suficiente para uma candidatura com chances reais, vinha obtendo entre 7 e 8 por cento nas pesquisas de opinião e poderia ter reduzido o apoio a Sarkozy no primeiro turno, que promete ser uma disputa difícil com o Partido Socialista, o principal agrupamento da oposição.

Sarkozy, que deve anunciar ainda esse ano sua intenção de buscar um segundo mandato, vai precisar de cada voto que puder para garantir que a líder de extrema-direita Marine le Pen não o tire do segundo turno eleitoral.

O ministro da Agricultura, Bruno Le Maire, chefe da estratégia eleitoral do partido governista UMP, disse que vai procurar Borloo nas próximas semanas para saber como ele pode cooperar com a candidatura de Sarkozy. "Não há espaço para divisões," disse Le Maire.

Depois de aumentar um pouco nas últimas semanas, a popularidade de Sarkozy caiu novamente no final de setembro em função de uma série de escândalos envolvendo ex-assessores e amigos, além da derrota nas eleições do Senado, que deixaram claro o desencanto do eleitorado.

Jean-Pierre Bel, líder da bancada socialista, foi eleito neste sábado. É o primeiro socialista que chegou a esse posto, uma semana depois da mudança histórica do parlamento, agora com maioria da esquerda.

Gael Sliman, diretor do instituto de pesquisas BVA, disse que as pesquisas mostram que os partidários de Borloo não vão automaticamente transferir seus votos para o presidente. Borloo ainda não disse quem ele recomenda que seus partidários apoiem na eleição.

Sarkozy desagradou a muitos moderados quando tentou cortejar os eleitores da extrema-direita, adotando postura de linha dura sobre a segurança e a imigração. Outros se sentiram ofendidos com seu estilo hiperativo. Isso pode beneficiar outro centrista de longa data, François Bayrou, que estuda a possibilidade de candidatar-se novamente à presidência.

Os socialistas, que estão na vantagem nas pesquisas para as eleições presidencial e parlamentar do próximo ano, esperam que Sarkozy possa cair antes do segundo turno. "Os eleitores precisam saber que é o primeiro turno que vai contar na eleição presidencial de 2012," disse o favorito socialista François Hollande, projetado como vencedor da primária de seu partido, esse mês.

As pesquisas indicam que Hollande poderia vencer a eleição presidencial se ela acontecesse hoje, com Sarkozy sendo o segundo colocado. Mas o presidente tem vantagem muito pequena sobre Le Pen, da Frente Nacional. É possível também que o maior rival de Sarkozy Dominique de Villepin, ex-primeiro-ministro, lance sua candidatura centrista à eleição presidencial.

Uma pesquisa divulgada no domingo constatou que 68 por cento dos eleitores acham que Sarkozy vai perder a eleição.

Com Reuters

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