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Saída de ONGs de Darfur provoca catástrofe humanitária

Os medicamentos que temos aqui são suficientes para apenas um mês. Depois disso, será uma catástrofe, desabafou Zana Coulibaly, da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), responsável por um ambulatório em Darfur, construída pela ONG expulsa pelas autoridades sudanesas.

AFP |

"É claro, não há nenhuma dúvida de que as pessoas vão morrer em decorrência da decisão de Cartum de expulsar 13 ONGs internacionais ativas no Darfur, continuou ela, ao deixar o oeste de Darfur.

Darfur, a região do oeste do Sudão que vem sofrendo desde 2003 uma guerra civil responsável por 2,7 milhões de desabrigados, é palco da mais importante missão humanitária no mundo, segundo a ONU.

As ONGs se ocupam da distribuição das rações enviadas pelo Programa de Alimentos Mundial (PAM), do acesso à água potável e dos cuidados com a saúde.

"E há uma epidemia de meningite começando. Fizemos uma campanha de vacinação (...) mas tememos pelas consequencias disso", contou ainda essa profissional da Costa do Marfim.

Centenas de estrangeiros que prestam serviços humanitários em Darfur estão em Cartum preparando-se para deixar o Sudão nas próximas horas após a ordem de expulsão.

"Tivemos de abandonar 80 pessoas no hospital de Nertiti" (Darfur-Oeste), lamentou Thierry Durand, chefe das operações da MSF. "As autoridades sudanesas fecharam os escritórios da organização em Cartum, confiscaram telefones e material de informática", contou.

Pelo menos 13 organizações foram obrigadas a abandonar o Sudão depois que a Corte Penal Internacional (CPI) de Haia emitiu uma ordem de prisão por crimes de guerra e contra a humanidade para o presidente sudanês, Omar Al-Bashir.

A Ação contra a Fome (ACF), que está entre as ONGs expulsas, afirmou nesta sexta-feira em Paris que as crianças atendidas por desnutrição aguda em Darfur "estão ameaçadas de morte".

"As crianças internadas atualmente em nossos centros de nutrição estão ameaçadas de morte", insistiu a ONG.

Al-Bashir voltou a criticar a ordem de prisão emitida contra ele e afirmou que isso em nada mudará a política de seu governo.

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