A causa amazônica sofreu um duro revés no Brasil. A ministra do Meio Ambiente e ex-sindicalista da borracha, Marina Silva, renunciou ontem ao cargo inesperadamente depois de ser derrotada em sua luta por preservar a Amazônia, que está sendo devorada pelos grandes produtores de soja, afirma o jornal argentino Página/12 em sua edição desta quarta-feira.

Segundo o jornal, apesar de as razões oficiais não terem sido informadas, acredita-se que Marina Silva tenha deixado o cargo por conta de divergências com outros ministros "que apoiam incêndios florestais, a construção de usinas hidrelétricas e a produção de etanol no pulmão do mundo".

O Página/12 afirma que a notícia caiu como uma bomba no Congresso, onde foi recebida com surpresa até por parlamentares próximos à ministra.

"Com seu afastamento, o governo acaba de perder uma ministra com uma biografia que poucos políticos e dirigentes sociais são capazes de igualar", diz o jornal.

"A fundadora da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Estado amazônico do Acre ocupava a pasta do Meio Ambiente desde 1º de Janeiro de 2003, quando começou o atual governo. No início, era uma das pessoas de maior confiança do mandatário - ela foi o primeiro membro do gabinete nomeado oficialmente por Lula."
"Conhecida por trabalhar junto ao sindicalista assassinado Chico Mendes, a funcionária se destacou por sua capacidade de manter o equilíbrio em meio aos conflitos com seus colegas que defendiam obras danosas para a preservação ambiental", diz o Página/12.

Mas o jornal afirma que as relações entre a ministra e o presidente Luís Inácio Lula da Silva foram se desgastando por causa do apoio de Lula a outros ministérios com o objetivo de fomentar o desenvolvimento da Amazônia.

Segundo o Página/12, os problemas teriam começado em julho do ano passado, por conta das pressões enfrentadas pela ministra para aprovar a licitação de duas grandes hidrelétricas sobre o Rio Madeira, às quais ela se opunha.

Outro inimigo enfrentado por Marina teria sido o agronegócio, segundo o jornal, que teria contribuído para o aumento do desmatamento.

"A ex-seringueira, ex-vereadora e ex-senadora teve brigas com o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, por sua defesa do uso de áreas já destruídas da Amazônia para cultivar a cana de açúcar utilizada no Brasil e fabricar etanol."
"Mas a gota que transbordou o copo foi a decisão de Lula de não entregar a Silva o comando do Programa Amazônia Sustentável (PAS), lançado na semana passada, disse o Greenpeace. O presidente pôs o ministro das Ações de Longo Prazo, Roberto Mangabeira Unger, a frente do PAS, o que a ministra teria tomado como uma bofetada."

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