Said Siam, o ministro do Interior do Hamas assassinado pelo Exército israelense nesta quinta-feira, foi um dos instigadores da ação com a qual o movimento islamita palestino assumiu o controle de Gaza, em junho de 2007, e expulsou os partidários do presidente Mahmud Abbas.

Siam criou a Força Executiva do Hamas, que foi transformada na polícia do movimento, após a tomada de controle da Faixa de Gaza.

Também integrava a ala radical do movimento islamita e foi acusado pelos moderados do Fatah, ligado ao presidente palestino, Mahmud Abbas, de ter iniciado uma feroz repressão contra seus partidários, após o assalto a Gaza.

Em março de 2006, foi nomeado ministro do Interior do governo de unidade palestina que, na época, agrupava Hamas e Fatah.

Foi membro do braço político do Hamas e eleito deputado por sua circunscrição de Gaza, onde gozava de grande popularidade.

Nascido no campo de refugiados de Chatti, em Gaza, em 1959, esse pai de seis filhos entrou para valer na política bastante tarde, após uma longa carreira como professor, a qual abandonou em 2003. Ainda assim, durante muitos anos, foi ativo no terreno político e acabou preso quatro vezes na primeira Intifada (1987-1993).

Assim como Mahmud Zahar, foi expulso por Israel, em 1992, para o sul do Líbano.

Ao voltar para Gaza, foi detido pelos serviços de segurança palestinos.

Ex-homem forte do chefe Ahmed Yassin, o fundador do Hamas morto em um ataque israelense em 2004, Said Siam trabalhou, em estreita colaboração, com o atual líder da gabinete político do movimento islamita, Khaled Mechaal, que vive exilado em Damasco.

Siam acompanhou Mechaal a Moscou, em março de 2006, na primeira visita dos islamitas palestinos a uma grande capital ocidental, após vencer as eleições legislativas de fevereiro desse ano, na Faixa de Gaza.

Em 1º de janeiro de 2009, outro líder de primeiro plano do Hamas, Nizar Rayan, morreu em outro ataque israelense em Jabaliya (norte da Faixa de Gaza), que também custou a vida de suas quatro mulheres e de dez de seus 12 filhos.

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