SAIBA MAIS-Tremor no Haiti foi raso e violento

(Reuters) - O terremoto de magnitude 7 que atingiu o Haiti na terça-feira, derrubando edifícios e matando possivelmente dezenas de milhares de pessoas, foi o mais violento registrado no miserável país caribenho em mais de um século. A seguir, observações de sismólogos sobre o fato:

Reuters |

DAVID ROTHERY, cientista planetário na Universidade Aberta da Grã-Bretanha: "O terremoto que atingiu o Haiti ontem foi tão devastador porque, além de ser grande (magnitude 7), sua fonte foi em uma profundidade rasa, cerca de 10 quilômetros (abaixo do solo). A proximidade com a superfície é um grande fator, que contribui com a severidade do tremor no solo causado por um terremoto de qualquer magnitude. Além do mais, o tremor tende a ser maior diretamente acima da fonte. Neste caso, o epicentro foi a apenas 15 quilômetros do centro da capital, Porto Príncipe, que portanto sofreu pesadamente".

MICHAEL BLANPIED, coordenador-associado do programa de riscos de terremotos do Departamento de Pesquisas Geológicas dos EUA: "A ilha de Hispaniola - o Haiti fica no lado oeste da ilha - está entre duas placas tectônicas. As placas tectônicas da América do Norte e do Caribe estão cortando a ilha, esmagando-a, moendo-a, e quando isso ocorre o terremoto aparece. A ilha não sofreu um terremoto deste tamanho por mais de um século.

"Terremotos causam perturbação no terreno de várias formas diferentes. Onde quer que haja encostas íngremes ou áreas costeiras, há propensão a deslizamentos de terra, e isso pode soterrar casas, ou bloquear córregos e rios, bloquear estradas e assim por diante, de modo que há um risco. A única coisa positiva neste terremoto é que, por ter ocorrido em terra, não gerou um tsunami".

ROGER MUSSON, sismólogo do Departamento Britânico de Pesquisas Geológicas: "A situação no Haiti é similar à da Falha de San Andrés, na Califórnia, em que duas placas estão deslizando uma diante da outra. A falha, neste caso, chama-se Falha de Enriquillo-Plantain Garden. Ela esteve fechada nos últimos 250 anos, gradualmente acumulando um estresse que agora foi liberado em um único grande terremoto".

ROGER SEARLE, professor do Departamento de Ciências da Terra da Universidade Durham (Grã-Bretanha): "Este sismo teve magnitude 7, equivalente à liberação de energia de cerca de meio megaton de TNT. Até agora (12h de 13 de janeiro, hora de Brasília), o Departamento de Pesquisas Geológicas dos EUA registrou 33 tremores secundários maiores do que a magnitude 4,5 (suficientes para causar danos leves)".

BRIAN BAPTIE, sismólogo do Departamento Britânico de Pesquisas Geológicas: "Terremotos deste tamanho sempre têm tremores secundários, que podem durar muitas semanas. Esses sempre atacam além da sua capacidade, afetando prédios que já foram danificados e prejudicando os esforços de auxílio".

Fontes: Departamento de Pesquisas Geológicas dos EUA. Centro de Mídia das Ciências (Londres).

(Reportagem de Kate Kelland e Pascal Fletcher)

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