WASHINGTON (Reuters) - O mundo está mais perto da ameaça de uma pandemia por um novo tipo de gripe, com a suspeita de 149 mortes em decorrência da doença no México e novos casos sendo detectados ao redor do planeta. Quão forte é essa nova variante da gripe, até onde ela irá e quanto tempo vai durar o surto?

Abaixo, algumas perguntas e respostas sobre o surto:

QUANTAS PESSOAS MORRERAM? QUANTAS ESTÃO INFECTADAS?

Todas as mortes até a agora aconteceram no México, onde 20 das 149 mortes registradas foram confirmadas como decorrentes do vírus da gripe suína H1N1. Há 1.600 casos suspeitos no México e 64 casos confirmados nos Estados Unidos, e alguns casos no Canadá, na Nova Zelândia, na Grã-Bretanha, na Espanha e em Israel.

POR QUE HÁ MORTES APENAS NO MÉXICO?

Ninguém tem certeza. É importante lembrar que as autoridades de saúde estão tirando uma foto instantânea do passado --elas não estão relatando sobre as novas infecções deste momento, apenas rastreando infecções antigas e estão encontrando os casos apenas nos locais onde procuram.

Autoridades mexicanas investigaram nos hospitais, onde, é claro, seriam encontrados os casos graves. As autoridades de saúde norte-americanas descobriram os casos durante rastreamento rotineiro de pessoas com sintomas da gripe, em sua maior parte em ambulatórios; portanto, descobriram casos mais brandos.

Especialistas em influenza afirmam esperar encontrar mortes em outros locais, incluindo nos Estados Unidos, à medida que prossegue a investigação. Um problema é que as pessoas morrem de doenças respiratórias regularmente e a causa em geral não é determinada.

POR QUE A GRIPE MATARIA ALGUNS E NÃO OUTROS?

A influenza sazonal mata entre 250 mil e 500 mil pessoas anualmente em um ano normal e vários tipos de fatores determinam quem morre. Os idosos em geral morrem, mas às vezes adultos e crianças perfeitamente saudáveis morrem. Por vezes, a gripe torna as pessoas suscetíveis a infecções bacterianas, chamadas infecções secundárias, e, se o vírus e a bactéria estiverem circulando no mesmo momento no mesmo lugar pode haver uma concentração de mortes.

QUE TIPO DE GRIPE ELA É E COMO ESTÁ SE ESPALHANDO?

É um vírus influenza A, designado H1N1, mas contém DNA dos vírus H1N1 aviário, suíno e humano. Ele parece ter desenvolvido a capacidade de se transmitir com facilidade de uma pessoa para outra, diferentemente da maioria dos vírus suínos H1N1, que apenas muito ocasionalmente infectam pessoas e em geral apenas infectam uma pessoa e terminam ali.

Todos os vírus de gripe são disseminados por espirro, tosse ou quando as pessoas pegam o vírus pelas mãos. Este em questão provavelmente teve origem nos porcos, mas o governo mexicano e a Organização Mundial da Saúde descartaram qualquer risco de infecção pela ingestão da carne de porco.

QUAL É A GRAVIDADE?

A OMS, com sede em Genebra, declarou a gripe uma "emergência em saúde pública de alcance internacional" e elevou o nível de ameaça para uma pandemia, uma epidemia global por uma doença nova. A gripe suína H1N1 representa o maior risco de pandemia em larga escala desde que a gripe aviária reapareceu em 2003, matando 257 dos 421 infectados em 15 países.

Ainda não está claro se o vírus de fato pode se tornar pandêmico.

EM QUE ESTA GRIPE É DIFERENTE DA GRIPE COMUM?

A gripe suína é caracterizada pelos sintomas da gripe comum --febre súbita, dores musculares, dor de garganta e tosse seca-- mas pode causar vômitos e diarréia mais severa.

Novas cepas de gripe podem se disseminar com rapidez porque ninguém tem imunidade natural e o desenvolvimento de uma vacina pode levar meses. Essa cepa causa confusão porque é um H1N1 --um tipo em circulação desde a pandemia de "Gripe Espanhola" de 1918 que matou ao menos 40 milhões de pessoas em todo o mundo.

Em geral, se uma nova variante de gripe é associada a uma em circulação há anos, as pessoas têm alguma imunidade e ela não é capaz de causar pandemias. Mas essa nova variante adquiriu elementos genéticos dos vírus animais e isso pode ser geneticamente exclusivo o suficiente para representar uma ameaça pandêmica.

ATÉ QUE PONTO ELA PODE CHEGAR?

A pandemia da gripe "Hong Kong", de 1968, matou cerca de um milhão de pessoas no mundo. A pandemia de 1957-1958 fez aproximadamente 2 milhões de vítimas. A pandemia de 1918 matou entre 40 milhões e 100 milhões, de acordo com algumas estimativas. No entanto, a OMS diz que o mundo está mais bem preparado para enfrentar uma pandemia de gripe. Vacinas e drogas antivirais estão disponíveis agora --elas não existiam nas pandemias anteriores.

Em 1918, houve uma primeira onda de gripe moderada em abril. Ela pareceu ter desaparecido durante o verão no Hemisfério Norte, mas voltou com gravidade em agosto. Autoridades da OMS dizem que esse vírus poderá se comportar da mesma forma ou de um modo completamente diferente.

EXISTEM VACINAS E MEDICAMENTOS SUFICIENTES?

A maior parte dos países tem estocado suprimentos de duas drogas antivirais --o Tamiflu, conhecido de forma genérica como oseltamivir e fabricado pela Roche AG e pela Gilead Sciences Inc; assim como o Relenza, conhecido genericamente como zanamivir e produzido pela GlaxoSmithKline e pela australiana Biota Inc..

Uma terceira empresa, a BioCryst Inc. está tentando licenciar a droga experimental contra gripe peramivir.

Outros medicamentos para gripe chamados amantadine e rimantadine não funcionam mais tão bem contra qualquer cepa do influenza, com certas exceções em combinação com drogas mais novas.

Ainda não há vacina contra essa nova cepa e autoridades de saúde afirmam que é improvável que a vacina para a gripe sazonal forneça alguma proteção contra ela. A OMS está trabalhando com as empresas para começar a produzir uma nova vacina, caso necessária, mas o processo leva meses.

O QUE POSSO FAZER?

Lave suas mãos. Está comprovado que é a melhor forma de se proteger contra a infecção por uma série de microorganismos, incluindo os da gripe. Os especialistas em geral concordam que as máscaras de rosto, em especial as máscaras cirúrgicas agora vistas nas ruas da Cidade do México, oferecem proteção muito baixa. Os vírus da gripe podem ser transportados por pequenas partículas de saliva ou muco, em geral não mais do que por um ou dois metros, mas depois se estabelecem em superfícies e podem ser transferidos para a boca, os olhos ou o nariz

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