Saiba mais sobre o capitão do navio naufragado na Itália

Francesco Schettino era citado por colegas como insolente e declarou que não gostaria de estar no lugar do capitão do Titanic

iG São Paulo |

Mudança de trajetória para fazer uma homenagem , demora para dar o alerta, suposto abandono precipitado do navio: os testemunhos se acumulam contra o capitão Francesco Schettino após o naufrágio na Itália do Costa Concordia , que tombou após ter se chocado com uma rocha perto da ilha de Giglio, Toscana.

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AP
O capitão do navio Costa Concordia, Francesco Schettino, deixa o tribunal de Grossetto, na Itália

A personalidade de Schettino, 52 anos, nascido em Sorrente, na costa de Amalfi, perto de Nápoles, é criticada por alguns que o conheciam. Mario Palombo, um comandante de bordo aposentado da Costa Crociere, onde Schettino trabalhou em um cruzeiro idêntico ao Concordia por quatro anos, descreveu o capitão para os investigadores como "muito exuberante e imprudente", segundo a imprensa local.

"Era um insolente, fazia-se de esperto, era um palhaço, um grande merda. Eu não o condenaria uma vez, mas até dez vezes. As rochas estavam claramente assinaladas em todas as cartas náuticas", declarou à AFP um ex-comandante de outro navio da companhia sob condição de anonimato.

Um dos oficiais presentes no navio naufragado, Martino Pellegrino, também o descreveu como alguém "autoritário, às vezes insuportável, com quem ninguém conseguia conversar".

Schettino foi detido em 14 de janeiro por homicídio culposo múltiplo (sem intenção de matar) por imprudência, naufrágio e abandono de navio. Ele foi levado para a prisão de Grosseto, a maior e mais próxima da cidade da ilha Giglio, onde ocorreu a catástrofe em 13 de janeiro. Nesta terça-feira, uma juíza decretou sua prisão domiciliar após o comandante ter prestado depoimento por três horas .

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Ele é acusado de ter se aproximado demais da costa para efetuar uma parada chamada de "inchino" (reverência) com todas as luzes acesas e as sirenes ligadas. O cruzeiro se chocou contra uma rocha a cerca de 500 metros da costa.

Um investigador comparou Schettino, um ex-comandante de balsas que em 2002 chegou aos cruzeiros e se tornou comandante em 2006, a alguém que "dirigia um carro de luxo como uma Ferrari na estrada", Segundo o oficial Pellegrino, ele "adorava mandar em quem se ocupava das máquinas".

O Costa Concordia, um "gigante dos mares" de 300 metros de comprimento e 38 de largura, altura de um prédio de dez andares, era capaz de navegar até 23 nós (43 km/h). O proprietário do navio, Costa Crociere - grupo americano Carnival -, tem se "dissociado" de sua conduta, condenando o "erro humano" e ressaltando que a trajetória feita não foi "autorizada nem certificada" pelo Costa .

As versões diferem sobre suas atitudes: de acordo com seu advogado, Bruno Leporatti, após a colisão, ele "fez uma manobra brilhante e soube conservar a lucidez necessária para fazer o navio encalhar perto da costa, salvando a vida de muitas pessoas".

De acordo com novos elementos dados pela investigação na segunda-feira, a sala das máquinas teria sido inundada em menos de 10 minutos e os motores estariam avariados, o que o impossibilitava pilotar o navio que, por sorte, terminou perto do pequeno porto de Giglio. Muitos relatos e registros de suas conversas com o Porto de Livorno também estigmatizam sua atitude após o acidente.

Ele teria banalizado o problema por cerca de uma hora, dizendo aos salva-vidas, equipe e passageiros, que se tratava de uma pane elétrica . Hesitou em dar o alerta para o abandono do navio e, muito antes da retirada total, recusou-se a retornar a bordo para coordenar a operação.

"Agora você vai até a proa, vai subir pela escada e vai coordenar a evacuação. Você deve nos dizer quantas pessoas ainda estão lá, crianças, mulheres, passageiros a serem evacuados", ordena o comandante da capitania dos portos a 1h46 da madrugada, segundo uma gravação que está nas mãos dos investigadores citada pela imprensa italiana.

Mas, de acordo com a capitania e testemunhas, o comandante já estava refugiado em um rochedo às 00h30 locais, até mesmo antes. O chefe do Costa, Pier Luigi Foschi, pediu na segunda-feira cautela antes de julgar o comportamento do comandante, alegando ter "testemunhas internas confiáveis", segundo as quais ele permaneceu "muito tempo a bordo do navio".

Sua família continua a defendê-lo: "vocês cobrem de lama uma carreira cheia de honras, meu irmão provará que não teve responsabilidade no que aconteceu", protestou sua irmã Giulia.

Giulia teria dito, segundo a agência Ansa, que seu irmão ligou para sua mãe, Rosa, de 80 anos, às 5h dizendo: "Mamãe, houve uma tragédia. Mas fique calma. Eu tentei salvar os passageiros. Mas por enquanto, eu não vou poder te telefonar."

Segundo Giulia, ele ligou também para Salvatore, seu irmão, que é marinheiro, para contar o que tinha acontecido. Quase todos os membros da família de Schettino trabalham ou tem alguma ligação com o mar. Curiosamente, o homem que é acusado de ter abandonado o navio e deixado os passageiros, entrou na companhia Costa Crociere há dez anos registrado como oficial da segurança.

Em 2010, Schettino declarou ao jornal tcheco Dnes que não gostaria de ter estado no lugar do comandante do Titanic, e elogiou os esforços do colega em prol da segurança dos passageiros. "Eu não gostaria de estar no lugar do capitão do Titanic, ter que navegar em um oceano de icebergs", declarou Schettino nessa entrevista de dezembro de 2010 que o jornal tcheco reproduziu na segunda-feira em seu site.

"Mas acho que, graças à preparação, você pode lidar com qualquer situação e lidar com problemas em potencial", acrescentou o capitão na entrevista que deu ao jornalista, que se encontrava em um cruzeiro com ele. "A segurança dos passageiros é fundamental", enfatizou na ocasião.

Com AP, AFP e EFE

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