Saiba mais sobre a queda da Bovespa e seu impacto

A Bolsa de Valores de São Paulo chegou a cair 15% nesta segunda-feira. A negociação de ações foi parada por duas vezes ao longo do dia.

BBC Brasil |

A queda das ações no Brasil acompanhou o movimento dos mercados internacionais, que caíram fortemente tanto nos Estados Unidos como na Europa. Mas, no final do dia, o mercado se recuperou um pouco e as perdas ficaram em 5,43%.

A seguir, a BBC Brasil reuniu algumas perguntas e repostas sobre o que está ocorrendo no mercado de ações no Brasil.

Por que a bolsa brasileira chegou a cair tanto?
O principal motivo apontado pela maioria dos especialistas para a queda forte das ações no Brasil se resume a uma palavra: pânico. De acordo com os analistas, o movimento do mercado no Brasil não pode ser explicado unicamente pela lógica dos investimentos. "Estamos vendo reações muito emocionais dos investidores", afirma Antonio Castro, presidente da Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca).

O pânico teria sido motivado por um conjunto de fatores: a percepção de que a crise está atingindo mais fortemente a Europa, a dúvida sobre a eficácia do pacote de ajuda americano e o aumento da aversão ao risco de maneira generalizada. Em tese, esses fatores levaram muitos investidores a vender seus papéis e derrubam os preços das ações.

Na opinião dos analistas, o fato das ações terem recuperado parte de seu valor rapidamente no final do dia seria uma demonstração da falta de racionalidade na venda de várias ações.

Por que a Bovespa se mostra mais volátil do que a maioria das grandes bolsas?
Um estudo do presidente da Abrasca mostra que, nas últimas décadas, a variação do principal índice da Bolsa de Nova York - o Dow Jones - esteve sempre entre uma banda anual máxima em torno de 30% para cima ou para baixo.

No Brasil, essa banda de variação para o Ibovespa tem sido historicamente muito maior. Em 1990, por exemplo, a queda na bolsa foi de mais de 70%, sendo que em 1991 a recuperação foi de mais de 200%.

Alguns motivos explicam essas variações tão grandes. Uma é que apenas algumas empresas representam a maioria das negociações na Bovespa. Apenas a Petrobras e a Vale do Rio Doce representam em média 40% dos negócios diários. Isso significa que se essas empresas caem de valor rapidamente, elas derrubam o índice geral.

Além disso, cerca de 50% das empresas que atuam na bolsa brasileira são companhias que vendem commodities, principalmente minerais e grãos. O valor dessas empresas tende a variar junto com o valor dos produtos que elas vendem, o que aumenta ainda mais a variação de preço das ações.

Outro motivo é a alta participação de estrangeiros como investidores - elas são cerca de 70%. Esses investidores tendem a sair da bolsa brasileira quando temem que a situação pode se deteriorar para colocar seu dinheiro em investimentos mais seguros.

Quanto a Bovespa já caiu?
Desde o começo do ano, o principal índice da bolsa já caiu em mais de 30%. Esse número, porém, tem variado muito ao longo do ano. Desde o pico do ano, que ocorreu em maio, a queda já é de mais de 40%.

Até onde a bolsa pode cair?
Os especialistas dizem que é muito difícil fazer qualquer aposta, porque a situação atual da economia é nova.

Segundo Maurício Carvalho, professor de finanças do Ibmec São Paulo, um estudo recente produzido por ele mostra que historicamente quedas de 45% têm se mostrado com um piso (apesar de existirem algumas variações fora da regra). Isso significaria que a barreira dos 40 mil pontos seria um limite para este ano. O pico deste ano ocorreu quando a bolsa chegou aos 73 mil pontos.

Na segunda-feira, o índice da bolsa chegou a ficar em 37 mil pontos, para depois se recuperar. "O problema é que essas conclusões são tiradas olhando para o passado e não sabemos se elas vão funcionar na situação atual", afirma Carvalho.

Como a queda afeta a economia em geral?
A bolsa brasileira ainda é relativamente pequena em importância para a economia brasileira quando comparada às bolsas nos Estados Unidos ou na Europa. A Bovespa conta com cerca de 500 mil investidores como pessoas físicas e 397 companhias listadas, contra 2.365 na Bolsa de Valores de Nova York, por exemplo.

Apesar disso, as quedas afetam diretamente todos os investidores que têm alguma participação em fundos de investimentos ou fundos de pensão, o que é uma base maior dos que os investidores diretos.

Além disso, em períodos de queda, a bolsa deixa de ser uma fonte de financiamento para as companhias, o que pode atrapalhar planos de investimento.

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