Saiba como o Brasil está se preparando para a gripe suína

Desde segunda-feira, o governo brasileiro anunciou uma série de medidas contra a gripe suína, doença que já foi registrada em pelo menos sete países. Segundo o Ministério da Saúde, até o momento não há evidências da ocorrência do vírus no Brasil.

BBC Brasil |

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Até a tarde desta terça-feira, o ministério monitorava 20 casos de pessoas que estiveram em áreas afetadas e apresentaram algum sintoma, mas nenhum havia sido confirmado.

Medidas já anunciadas

O Gabinete Permanente de Emergência, formado por representantes dos ministérios da Saúde e da Agricultura e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), decidiu monitorar os voos procedentes de áreas afetadas por casos de gripe suína em humanos (México, Estados Unidos, Canadá, Espanha, Grã-Bretanha e Nova Zelândia).

Esse controle será feito ainda dentro dos aviões, por comissários de bordo e pilotos. Caso seja identificado algum passageiro com suspeita da doença, todos abordo da aeronave serão submetidos a avaliação médica.

Os principais aeroportos do País terão ambulâncias de plantão para transportar eventuais pacientes diretamente das aeronaves para hospitais especializados, evitando contato com outras pessoas.

A Anvisa também já começou a distribuir nos aeroportos 1 milhão de folhetos com explicações sobre a doença.

O Gabinete Permanente de Emergência se reúne diariamente, em Brasília, para acompanhar a evolução epidemiológica e indicar medidas necessárias.

Restrições

Até agora, não há restrição de viagens. Segundo o diretor da Anvisa, essa medida só vai ser tomada caso a Organização Mundial da Saúde (OMS) julgue necessário.

Em entrevista coletiva no final da tarde desta terça-feira, o gerente da área de coordenação interprogramática de prevenção e controle de doenças e saúde ambiental da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Rubén Figueroa, voltou a afirmar que a organização não vai fazer recomendações de fechar fronteiras nem de que brasileiros deixem de viajar às áreas afetadas, por considerar esse tipo de medida "pouco eficaz".

"A única recomendação que fazemos, e somente pelo risco individual, e não coletivo, é para que pessoas doentes, que sofrem de doenças cardíacas, câncer, diabetes, etc, não viajem às áreas afetadas", disse Figueroa.

Também não há restrições ao consumo de carne ou produtos de origem suína. Segundo o Ministério da Agricultura, "não existem animais infectados ou doentes com essa virose mesmo nos países em que casos humanos foram identificados".

Leitos

Segundo o Ministério da Saúde, o governo indicou 49 unidades de saúde de referência no País para tratar de ocorrências de gripe suína, sendo pelo menos uma em cada Estado do País.

Nesses hospitais haverá leitos de isolamento reservados para pacientes com a doença. Entre esses leitos, alguns têm pressão negativa, o que impede a saída de ar para o ambiente externo.

O Ministério da Saúde não sabe precisar o número total de leitos de isolamento disponíveis no País. As secretarias estaduais de Saúde estão reservando alguns leitos para esse fim.


Brasileiros aguardam embarque no aeroporto mexicano / Foto: Carolina Hanashiro

Em São Paulo, a secretaria anunciou um plano de emergência em que serão colocados à disposição, inicialmente, 150 leitos de isolamento, 60 deles com pressão negativa.

Segundo o representante da Opas, não há uma estimativa sobre o número de leitos que seriam necessários no país, porque a transmissão não se daria de maneira uniforme.

"Vamos ter conglomerados de transmissão em algumas cidades. Teremos de ir analisando rapidamente a disponibilidade", disse Figueroa.

Medicamentos

Há dois medicamentos recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para o tratamento da gripe suína. O oseltamivir é fabricado pela Roche com o nome de Tamiflu, e o zanamivir, fabricado pela GlaxoSmithKline com o nome de Relenza.

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil tem em estoque 9 milhões de tratamentos do Tamiflu - cada tratamento inclui 10 doses. O Brasil deverá receber ainda 54 mil cápsulas importadas do remédio.

De acordo com o chefe da disciplina de Moléstias Infecciosas da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, Francisco Aoki, é importante que o medicamento seja ministrado no estágio inicial, nas primeiras 48 horas a partir do início dos sintomas, porque sua eficácia diminui com o passar do tempo.

Aoki disse que é difícil estimar se esse estoque de medicamentos seria suficiente no caso de ocorrência de gripe suína. Segundo o representante da Opas, a disponibilidade de medicamentos no Brasil é grande, mas não se pode assegurar que seja suficiente.

"Isso vai depender muito da situação epidemiológica", disse Figueroa. "Os estoques são suficientes até agora, mas não sabemos o que acontecerá se a demanda aumentar muito, no caso de uma pandemia", afirmou.

Para o infectologista Stefan Cunha Ujvari, autor do livro "A história da humanidade contada pelos vírus", se a gripe suína chegar ao Brasil e tiver alta taxa de mortalidade, haverá falta de leitos e de medicamentos.

Vacina

O Tamiflu e o Relenza são recomendados para o tratamento da gripe suína, mas não impedem o contágio.

Não há vacina específica contra a gripe suína. Desde o último final de semana, está em andamento a Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe, direcionada à população com mais de 60 anos e que vai disponibilizar 21 milhões de doses contra a gripe comum.

Segundo o Ministério da Saúde, não há indicação do uso dessa vacina como forma de controle ou prevenção da gripe suína.

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