Saiba como extremista executou plano de ataque na Noruega

Cronologia mostra como fundamentalista massacrou 77 em Oslo e na Ilha de Utoya em 22 de julho; resposta policial foi falha e lenta

iG São Paulo |

O ataque duplo da Noruega, reivindicado pelo fundamentalista cristão e anti-islâmico norueguês Anders Behring Breivik , de 32 anos, deixou mais de 75 mortos em Oslo e na Ilha de Utoya na sexta-feira de 22 de julho. Breivik, que em 25 de julho foi indiciado por atos de terrorismo em sua primeira audiência judicial, rejeitou declarar-se culpado das acusações argumentando que o massacre foi necessário para evitar que a Europa seja tomada por muçulmanos.

Nesta terça-feira, seu advogado, Geir Lippestad , disse que o extremista é provavelmente insano . Apesar disso, Lippestad afirmou que o acusado poderia se opor à ideia de basear sua defesa na alegação de insanidade mental por acreditar ser o único "que compreende a verdade".

O extremista norueguês também declarou que seu principal objetivo era prejudicar o Partido Trabalhista, que acusou de encorajar a imigração com a "importação em massa" de muçulmanos. A explosão do carro-bomba ocorreu na área do quartel-general do governo, deixando oito mortos, enquanto o ataque a tiros contra a ilha teve como alvo um acampamento da ala juvenil do governista Partido Trabalhista, em que morreram 69. No total, o massacre terminou com 77 mortos .

Segundo o primeiro-ministro Jens Stolenberg, os ataques foram o maior massacre da história da Noruega desde a Segunda Guerra Mundial .

Leia, a seguir, a cronologia dos principais fatos referentes ao ataque duplo e à resposta falha da polícia (horário local - cinco horas à frente de Brasília):

AP
Carro destruído é visto no local da explosão no centro de Oslo (22/07)
- 12h51: Manifesto intitulado "2083 - Uma Declaração Europeia de Independência" , de 1,5 mil páginas, é postado na internet. Nele, fundamentalista cristão prega uma cruzada antimuçulmana e alega fazer parte de um pequeno grupo cuja intenção é "tomar o controle político e militar dos países da Europa Ocidental e implementar uma agenda de cultura política conservadora". Em um vídeo também postado na internet, norueguês resume seus argumentos e aparece em um uniforme militar, segurando uma arma de assalto

- Horário desconhecido: Anders Behring Breivik deixa fazenda que arrendou em Aasta, a 100 quilômetros de Oslo, com carro com bomba que teria sido construída principalmente com fertilizantes. Ele montou empresa agrícola de fachada para conseguir comprar material

- 15h36: Carro-bomba explode do lado de fora da sede do governo da Noruega, no centro de Oslo

- 16h57: Disfarçado de policial, embarca em balsa em direção à Ilha de Utoya, a 40 quilômetros de Oslo, armado com uma pistola e um rifle automático. Ilha fica em um lago e é base da ala juvenil do governista Partido Trabalhista

- 17h10: Julie Bremnes , de 16 anos, liga para sua mãe para dizer que "um homem louco estava atirando" na ilha; depois, ela passa a usar mensagens sucessivas de SMS para se comunicar e mantém contato com mãe por quase 1h30. Um dos primeiros a ser mortos foi o único guarda de segurança presente no local, Trond Berntsen

- 17h15: Testemunhas no continente ouvem disparos na ilha

- 17h26: Polícia em condado de Buskerud registra chamado sobre ataque a tiros em Utoya. Sobreviventes dizem ter tido dito dificuldade em fazer suas súplicas serem ouvidas porque operadores nas linhas de emergência estavam rejeitando chamadas não relacionadas à explosão em Oslo

- 17h30: Buskerud alerta Oslo e pede equipe da Swat. Jovens fogem em direção ao lago. Alguns se jogam na água gelada para tentar se salvar. Outros, após tentar cruzar sem sucesso a distância de 600 metros, voltam nadando à ilha. Adrian Pracon , de 21 anos, foi um deles. Para sobreviver ao ataque do atirador, que gritava que ia " matar a todos ", ele se fingiu de morto

- 17h38: Equipe da Swat é enviada de Oslo. Ela percorre os 40 quilômetros por terra, após avaliar que preparar um helicóptero demandaria mais tempo. Segundo porta-voz policial Sturla Henriksbo, a Noruega - país de 1.750 km de comprimento e 50 mil ilhas - tem apenas um helicóptero policial que fica em um aeroporto no norte de Oslo. A aeronave tem apenas quatro assentos, incluindo dois para os pilotos e um para um gerente de equipamento. No dia dos ataques, todos os pilotos estavam em férias de verão

- Cerca de 17h45: Sobreviventes chegam ao outro lado do lago após atravessá-lo a nado. Eles relatam que alguns foram atingidos por disparos na água por um homem disfarçado de policial, enquanto outros supostamente teriam se afogado. O dono de um camping e outros que estavam no local zarpam com barcos pequenos em direção à ilha para tentar resgatar sobreviventes. Uma das pessoas conseguiu salvar até 50 jovens aterrorizados

AP
Foto tirada de helicóptero mostra suposto atirador andando entre mortos na Ilha de Utoya, Noruega (foto foi alterada por rede NRK para proteger identidade de vítimas)
- Cerca de 18 horas: Equipe chega ao lago, mas tem dificuldades em encontrar um barco para atravessá-lo

- 18h09: Polícia de Oslo zarpa para a ilha num pequeno barco rígido inflável trazido da vizinha Hoenefoss. Chegada à ilha, porém, é atrasada por imprevisto. "Com tantas pessoas e equipamentos, o barco começou a fazer água, então o motor parou", disse Erik Berga, chefe de operações policiais de Buskerud. Força policial teve de ser resgatada por embarcação de turista para cumprir o percurso de um minuto até a ilha

- Entre 18h e 18h10: Helicóptero da TV NRK começa a sobrevoar ilha. Sem saber, cinegrafista Marius Arnesen grava imagem de atirador em ação

- 18h25:  Equipe da Swat chega à ilha

- 18h27: Suspeito se rende à polícia depois de manter ataque por 90 minutos . Posteriormente, médico afirma que atirador usou balas com alto poder de destruição , que se fragmentaram dentro do corpo das vítimas

- 19 horas: Sobreviventes continuam sendo retirados da água. Na ilha, vários outros ainda têm medo de deixar seus esconderijos

- 22h45: Polícia revela que o principal suspeito pelos dois ataques é um norueguês de 32 anos

*Com AP, BBC, Reuters e New York Times

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