Saiba mais sobre os telegramas diplomáticos

Conheça o formato e entenda como são enviados os documentos da diplomacia americana divulgados pelo site WikiLeaks

iG São Paulo | 06/12/2010 16:55

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O site WikiLeaks provoca polêmica desde a semana passada com a divulgação de mais de 250 mil mensagens secretas transmitida por diplomatas dos Estados Unidos. Em inglês, as comunicações entre instituições diplomáticas são conhecidas como “cables” (ou “cabos”), o que levou o fundador do site, o australiano Julian Assange, a denominar o vazamento de “Cablegate”. O nome também faz referência ao escândalo de espionagem Watergate, que culminou na renúncia do presidente Richard Nixon, em 1974.

Grande parte dos documentos divulgados pelo WikiLeaks foram obtidos por meio do SIPRNet (Secret Internet Protocol Router Network), um sistema de comunicação utilizado pelos departamentos de Defesa e de Estado dos EUA. Cerca de 2,5 milhões de funcionários americanos têm acesso ao SIPRNet por computadores autorizados. Apenas os documentos considerados “top secret” (ultrassecretos) não transitam pela rede, que funciona como uma espécie de grupo de emails.

Escritos por diplomatas americanos em todo o mundo, os documentos são enviados para o sistema e passam a ser acessíveis a todos os computadores autorizados. Assim, o telegrama é enviado apenas uma vez, mas pode ser lido por várias pessoas. Além disso, a mensagem fica arquivada para evitar que as informações sejam perdidas.

Formato

Cada telegrama diplomático consiste em três partes. A primeira é uma espécie de cabeçalho que indica seu número de referência, a data de criação, a pessoa que o enviou e qual sua classificação inicial.

Na imagem abaixo, essa primeira parte está marcada na cor azul. O documento é identificado como 09PARIS1526; foi criado em 17/11/2009, às 15h03; classificado como “confidencial”; e enviado pela Embaixada dos Estados Unidos em Paris.

Foto: Reprodução

Telegrama diplomático enviado pela Embaixada dos EUA em Paris e divulgado pelo WikiLeaks

A segunda parte do telegrama reúne informações sobre quem vai recebê-lo. No exemplo, a marcação na cor cinza indica que o destino é o Departamento de Estado, em Washington.

A última parte do telegrama mostra seu assunto e conteúdo completo. No exemplo, o assunto está marcado na cor amarela: “França e Brasil: o início de uma história de amor”.

Nessa mensagem, o embaixador dos Estados Unidos em Paris diz acreditar que o presidente francês, Nicolas Sarkozy, usava o status de celebridade de sua esposa Carla Bruni para impulsionar as relações diplomáticas entre França e Brasil.

Conteúdo

De acordo com Brandon Grove, ex-embaixador dos Estados Unidos no Zaire e autor do livro “Behind Embassy Walls: The Life and Times of an American Diplomat”, no qual fala sobre sua experiência como diplomata, o conteúdo dos documentos é variável.

Alguns são mais factuais, como os que relatam os acontecimentos de uma reunião oficial, por exemplo. Outros são mais analíticos, como os que comentam o resultado da eleição de um país e seu impacto no que diz respeito aos interesses americanos. Há, também, os que fazem previsões e recomendam uma determinada ação ou política.

Grove conta que apenas o embaixador pode escrever usando a primeira pessoa. A determinação ajuda as autoridades americanas a identificar facilmente os documentos mais importantes, em meio aos milhares de telegramas enviados ao sistema.

Com AP

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