Saiba como extremista executou plano de ataque na Noruega

Cronologia mostra como fundamentalista massacrou 77 em Oslo e na Ilha de Utoya em 22 de julho; resposta policial foi falha e lenta

iG São Paulo | 26/07/2011 19:47 - Atualizada em 29/07/2011 16:43

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O ataque duplo da Noruega, reivindicado pelo fundamentalista cristão e anti-islâmico norueguês Anders Behring Breivik, de 32 anos, deixou mais de 75 mortos em Oslo e na Ilha de Utoya na sexta-feira de 22 de julho. Breivik, que em 25 de julho foi indiciado por atos de terrorismo em sua primeira audiência judicial, rejeitou declarar-se culpado das acusações argumentando que o massacre foi necessário para evitar que a Europa seja tomada por muçulmanos.

Nesta terça-feira, seu advogado, Geir Lippestad, disse que o extremista é provavelmente insano. Apesar disso, Lippestad afirmou que o acusado poderia se opor à ideia de basear sua defesa na alegação de insanidade mental por acreditar ser o único "que compreende a verdade".

O extremista norueguês também declarou que seu principal objetivo era prejudicar o Partido Trabalhista, que acusou de encorajar a imigração com a "importação em massa" de muçulmanos. A explosão do carro-bomba ocorreu na área do quartel-general do governo, deixando oito mortos, enquanto o ataque a tiros contra a ilha teve como alvo um acampamento da ala juvenil do governista Partido Trabalhista, em que morreram 69. No total, o massacre terminou com 77 mortos.

Segundo o primeiro-ministro Jens Stolenberg, os ataques foram o maior massacre da história da Noruega desde a Segunda Guerra Mundial.

Leia, a seguir, a cronologia dos principais fatos referentes ao ataque duplo e à resposta falha da polícia (horário local - cinco horas à frente de Brasília):

Foto: AP Ampliar

Carro destruído é visto no local da explosão no centro de Oslo (22/07)

- 12h51: Manifesto intitulado "2083 - Uma Declaração Europeia de Independência", de 1,5 mil páginas, é postado na internet. Nele, fundamentalista cristão prega uma cruzada antimuçulmana e alega fazer parte de um pequeno grupo cuja intenção é "tomar o controle político e militar dos países da Europa Ocidental e implementar uma agenda de cultura política conservadora". Em um vídeo também postado na internet, norueguês resume seus argumentos e aparece em um uniforme militar, segurando uma arma de assalto

- Horário desconhecido: Anders Behring Breivik deixa fazenda que arrendou em Aasta, a 100 quilômetros de Oslo, com carro com bomba que teria sido construída principalmente com fertilizantes. Ele montou empresa agrícola de fachada para conseguir comprar material

- 15h36: Carro-bomba explode do lado de fora da sede do governo da Noruega, no centro de Oslo

- 16h57: Disfarçado de policial, embarca em balsa em direção à Ilha de Utoya, a 40 quilômetros de Oslo, armado com uma pistola e um rifle automático. Ilha fica em um lago e é base da ala juvenil do governista Partido Trabalhista

- 17h10: Julie Bremnes, de 16 anos, liga para sua mãe para dizer que "um homem louco estava atirando" na ilha; depois, ela passa a usar mensagens sucessivas de SMS para se comunicar e mantém contato com mãe por quase 1h30. Um dos primeiros a ser mortos foi o único guarda de segurança presente no local, Trond Berntsen

- 17h15: Testemunhas no continente ouvem disparos na ilha

- 17h26: Polícia em condado de Buskerud registra chamado sobre ataque a tiros em Utoya. Sobreviventes dizem ter tido dito dificuldade em fazer suas súplicas serem ouvidas porque operadores nas linhas de emergência estavam rejeitando chamadas não relacionadas à explosão em Oslo

- 17h30: Buskerud alerta Oslo e pede equipe da Swat. Jovens fogem em direção ao lago. Alguns se jogam na água gelada para tentar se salvar. Outros, após tentar cruzar sem sucesso a distância de 600 metros, voltam nadando à ilha. Adrian Pracon, de 21 anos, foi um deles. Para sobreviver ao ataque do atirador, que gritava que ia "matar a todos", ele se fingiu de morto

- 17h38: Equipe da Swat é enviada de Oslo. Ela percorre os 40 quilômetros por terra, após avaliar que preparar um helicóptero demandaria mais tempo. Segundo porta-voz policial Sturla Henriksbo, a Noruega - país de 1.750 km de comprimento e 50 mil ilhas - tem apenas um helicóptero policial que fica em um aeroporto no norte de Oslo. A aeronave tem apenas quatro assentos, incluindo dois para os pilotos e um para um gerente de equipamento. No dia dos ataques, todos os pilotos estavam em férias de verão

- Cerca de 17h45: Sobreviventes chegam ao outro lado do lago após atravessá-lo a nado. Eles relatam que alguns foram atingidos por disparos na água por um homem disfarçado de policial, enquanto outros supostamente teriam se afogado. O dono de um camping e outros que estavam no local zarpam com barcos pequenos em direção à ilha para tentar resgatar sobreviventes. Uma das pessoas conseguiu salvar até 50 jovens aterrorizados

Foto: AP Ampliar

Foto tirada de helicóptero mostra suposto atirador andando entre mortos na Ilha de Utoya, Noruega (foto foi alterada por rede NRK para proteger identidade de vítimas)

- Cerca de 18 horas: Equipe chega ao lago, mas tem dificuldades em encontrar um barco para atravessá-lo

- 18h09: Polícia de Oslo zarpa para a ilha num pequeno barco rígido inflável trazido da vizinha Hoenefoss. Chegada à ilha, porém, é atrasada por imprevisto. "Com tantas pessoas e equipamentos, o barco começou a fazer água, então o motor parou", disse Erik Berga, chefe de operações policiais de Buskerud. Força policial teve de ser resgatada por embarcação de turista para cumprir o percurso de um minuto até a ilha

- Entre 18h e 18h10: Helicóptero da TV NRK começa a sobrevoar ilha. Sem saber, cinegrafista Marius Arnesen grava imagem de atirador em ação

- 18h25: Equipe da Swat chega à ilha

- 18h27: Suspeito se rende à polícia depois de manter ataque por 90 minutos. Posteriormente, médico afirma que atirador usou balas com alto poder de destruição, que se fragmentaram dentro do corpo das vítimas

- 19 horas: Sobreviventes continuam sendo retirados da água. Na ilha, vários outros ainda têm medo de deixar seus esconderijos

- 22h45: Polícia revela que o principal suspeito pelos dois ataques é um norueguês de 32 anos

*Com AP, BBC, Reuters e New York Times

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