Saddam pediu para se casar de novo e poder deixar filhos homens

Cairo, 6 mai (EFE).- O ex-presidente iraquiano Saddam Hussein pediu permissão aos guardas americanos para se casar novamente e ter descendentes que substituíssem seus filhos e seu neto mortos, afirma o próprio nos diários que escreveu na prisão.

EFE |

Na segunda e última parte de seus diários publicada hoje pelo rotativo árabe internacional "Al-Hayat", Saddam reconhece ter feito essa confissão aos médicos americanos que o examinavam na prisão.

"O médico colocou o estetoscópio sobre meu peito e sobre as costas, dizendo que respirasse forte (...). Fez isso com carinho, apesar da avançada idade", escreveu o ditador, em uma das cinco partes de seus diários.

Saddam lembra em seus escritos que o doutor se dirigiu com delicadeza a ele em inglês após a revisão, e lhe disse que tinha "um coração forte e saudável como o de um jovem".

"Depois disso, disse ao médico e aos que estavam a meu redor: 'Que Alá conserve meu coração e minha saúde para ver o Iraque vitorioso, e que seja forte para voltar a casar e ter dois filhos para chamá-los de Udai e Qusai (como seus dois filhos), e o terceiro de Mustafá (como seu neto)'".

Udai, Qusai e Mustafá, filho do segundo, morreram em julho de 2003 na cidade de Mossul, norte do Iraque, no ataque das tropas americanas, que tinham recebido a informação sobre o paradeiro deles por um primo de Saddam, proprietário da casa onde estavam escondidos.

Cinco meses depois, em dezembro do mesmo ano, Saddam foi encontrado em um esconderijo próximo a sua cidade natal, Tikrit, e permaneceu sob custódia americana até 30 de dezembro de 2006, quando foi enforcado após ser condenado à morte por um tribunal iraquiano.

Saddam era casado com Sajida Tulfah, com quem teve dois filhos e três filhas, e também contraiu casamento em segredo com Samira Shahbandar, viúva de um de seus oficiais. As duas seguem vivas e estão fora do Iraque.

No entanto, como deixou claro em seus diários, o ditador queria se casar novamente para garantir a descendência através de um filho homem.

O "Al-Hayat" publicou entre ontem e hoje os diários pessoais de Saddam enquanto esteve recluso no centro de detenção Cropper, perto do aeroporto de Bagdá.

O jornal não especifica quando e como teve acesso às memórias do ditador, mas citou fontes do Exército dos EUA, que revelaram dados sobre os três anos que Saddam Hussein ficou prisioneiro em Cropper.

Na parte de ontem, o ex-presidente iraquiano conta que pedia aos carcereiros que trouxesem flores de um jardim da prisão.

Saddam também afirma em seus diários que pedia que suas roupas não fossem estendidas junto com a dos militares americanos, porque temia ser infectado com aids ou outras doenças venéreas.

As fontes americanas disseram ao "Al-Hayat" que o ditador não expressou queixas pelo tratamento que recebeu, e que só pedia aos guardas "charutos, batatas fritas e vestir o uniforme militar".

Nos trechos publicados hoje, o ditador se refere também a sua recusa em ficar de pé diante do presidente do Alto Tribunal Penal iraquiano que o condenou a morte, o curdo Rauf Rashid.

"A Corte tinha a intenção de me condenar desde o início, apesar da lei, que diz que o acusado é inocente até que se prove o contrário", escreveu Saddam.

"Teria sido muito melhor que eles (os juízes) tivessem se voltado contra os invasores e ocupantes americanos, e tivessem condenado os massacres, antes que violar as normas legais", dizem os diários. EFE nq/an

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