Saddam Hussein diz em carta ter sido agredido durante captura no Iraque

Nova York, 5 mai (EFE).- O ditador iraquiano Saddam Hussein escreveu duas cartas na prisão poucos dias após ser capturado, em dezembro de 2003, nas quais denunciou que tinha sido duramente agredido pelo grupo que o deteve, informou hoje o Daily News.

EFE |

O jornal nova-iorquino informa hoje em sua edição eletrônica do conteúdo de dois manuscritos do ex-presidente do Iraque, o qual a publicação assegura ter conseguido exclusivamente, e que foram entregues por Hussein aos captores americanos.

As cartas, que vão "à atenção de quem possa interessar", foram escritas em dezembro de 2003 em árabe.

Saddam Hussein, segundo o periódico nova-iorquino, denunciava "os golpes" que recebeu após ser capturado, devido aos quais "nem uma só parte" do corpo "ficou livre dos severos danos infligidos pelo grupo" que o deteve e dos quais restaram "marcas visíveis".

Hussein, nas mensagens, descrevia o centro onde era mantido recluso após ser capturado como "uma câmara dos horrores criada pelos americanos".

O ex-presidente iraquiano esteve na prisão Cropper, próximo ao aeroporto de Bagdá, desde dezembro de 2003, quando foi capturado pelos Estados Unidos, até 30 de dezembro de 2006, data em que morreu enforcado após ser condenado à morte por um tribunal do país que o considerou culpado de crimes contra a humanidade.

"Minhas possibilidades de dormir neste lugar são limitadas e quase poucas, inclusive apesar de eu estar praticamente todos os dias deitado na cama", acrescentou nas cartas, nas quais assegura que em alguns dias não conseguia conciliar o sono durante mais de quatro ou cinco horas diárias.

"Não acho que haja ninguém com sensibilidade e coração humanitário que possa dormir no meio dos gritos dos torturados e das muitas batidas das portas e arrastar de cadeiras", escreveu Hussein.

Essas cartas fazem parte das 352 páginas de documentos revelados dos arquivos do FBI (Polícia federal americana) após a execução do ex-ditador, explica o jornal nova-iorquino.

Hussein acrescentou: "O lugar no qual estou (...) parece ter se transformado em um local para a tortura dos detidos à noite em geral e, inclusive, durante o dia a maior parte do tempo". EFE mgl/db

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