Sacerdotes nfundamentalistas são ordenados na Suíça sem o aval do Vaticano

Mais de 2.500 pessoas assistiram nesta segunda-feira em Econe, Suíça, a ordenação - considerada ilegítima pelo Vaticano -, de seis sacerdotes e dez diáconos fundamentalistas da Fraternidade São Pio X.

AFP |

A missa foi celebrada em latim - segundo o ceremonial tradicional anterior ao Concílio Vaticano II - e presidida por monsenhor Bernard Fellay, superior da Fraternidade São Pio X, fundada em 1970 pelo cardeal Marcel Lefebvre, contrário às decisões desse concílio.

Como a capela era muito pequena, a missa foi celebrada sob um toldo branco, diante de 2.500 fiéis.

O superior da entidade, monsenhor Bernard Fellay, se declarou muito surpreso com o escândalo gerado em torno dessas ordenações num momento em que, em muitos países, a Igreja Católica Romana não possui sacerdotes em número suficiente.

Monsenhor Fellay disse que Roma demonstrou "uma tolerância tácita" a respeito das ordenações, classificando-as de ilegítimas, mas sem proibi-las formalmente.

"Vejo no Papa um desejo de chegar a uma reconciliação e, onde há uma vontade, há um caminho", afirmou.

Em um gesto de apaziguamento, o Papa Bento XVI levantou, em 21 de janeiro passado, a excomunhão de quatro biscos cuja ordenação, sem o consentimento do Vaticano, levou, em 1988, à marginalização da Fraternidade.

Por esta razão Fellay não considera a cerimônia como uma provocação contra as autoridades católicas romanas, destacando que "suas relações ficaram mais serenas".

Além disso, acrescentou, as ordenações acontecem todos os anos na mesma data, 29 de junho, que corresponde à festa de São Pedro e São Paulo.

O porta-voz do Vaticano, no entanto, voltou a classificar essas ordenações como "ilegítimas".

"Repito o que já foi dito: essas ordenações são ilegítimas e não há nada a acrescentar em relação à posição que adotamos anteriormente", indicou à AFP o padre Federico Lombardi, diretor da assessoria de imprensa do Vaticano

O padre Lombardi publicou em 17 de junho passado um comunicado condenando antecipadamente a ordenação dos novos sacerdotes integristas.

A Fraternidade está à margem da Igreja Católica de Roma desde que Lefebvre, falecido em 1991, ordenou quatro bispos em 1988 sem o aval do Vaticano.

O Papa Bento XVI se viu em uma polêmica depois da suspensão da excomunhão dos bispos integristas da Fraternidade, incluindo o britânico Richard Williamson, que nega a existência do Holocausto de milhões de judeus pela Alemanha nazista.

"Enquanto a Fraternidade não tiver uma posição canônica na Igreja, seus ministros tampouco exercem ministérios legítimos na Igreja", afirmou na ocasião o Papa.

cv/fp/cn

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG