Sacerdotes do vodu fazem cerimônia por Ingrid Betancourt

Por Samuel Elijah COTONOU, Benin (Reuters) - Sacerdotes do vodu gritaram e fizeram oferendas em rituais, nesta quarta-feira, para pedir ajuda pela libertação da refém franco-colombiana Ingrid Betancourt.

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O ritual ocorreu em Benin (África Ocidental), como parte de um tríduo de oração e jejum decretado pelo presidente Thomas Yayi Boni para ajudar Betancourt, mantida como refém da guerrilha colombiana Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) desde 2002.

'Que o amor e a misericórdia de Deus toquem os corações dos que ainda não entenderam, para que saibam que fazer o mal a alguém é fazer o mal a si mesmo', disse o alto sacerdote vodu Dah Aligbonon, enquanto os iniciados ofereciam conchas e leite como oferendas. Alguns participantes gritavam em línguas ininteligíveis.

A cerimônia omitiu os sangrentos sacrifícios de galinhas e outros animais, comuns em muitos rituais do vodu, 'porque estamos implorando às almas dos ancestrais que o perdão reine no coração dos homens', segundo Aligbonon.

Cristãos e muçulmanos também rezam por Betancourt desde o apelo de Boni, na segunda-feira, numa rara iniciativa deste pequeno e miserável país no campo das relações internacionais.

'Ninguém que espera por nenhuma prosperidade duradoura pode ou deve permanecer indiferente ao drama que agora se desenrola na selva da Colômbia', disse Boni em nota na segunda-feira.

O Benin é uma antiga colônia da França e ainda depende muito de doações de Paris. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, diz que Betancourt está à beira da morte e faz da libertação dela uma prioridade da sua política externa.

Betancourt, 46 anos, foi sequestrada em 2002, quando fazia campanha à Presidência da Colômbia. Ela é parte de um grupo de 40 reféns 'estratégicos' que as Farc pretendem trocar por guerrilheiros presos.

Aligbonon disse que as diferenças de geografia e raça não são obstáculo para as intercessões do Benin em prol de Betancourt.

'Ingrid Betancourt é uma criatura como nós, mesmo que sua pele seja diferente. Não fazemos distinção entre os homens [pessoas]: somos todos iguais', disse ele.

Há séculos, milhares de africanos foram embarcados do Benin com direção às Américas, e algumas de suas crenças sobreviveram em países como Haiti, Cuba e Brasil.

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