O pró-ocidental Mikhail Saakashvili, presidente da Geórgia, encarnou o sonho democrático na ex-URSS com a Revolução da Rosa em 2003.

Com apenas 40 anos, ambicioso, impulsivo, Saakashvili trouxe um novo ar à Geórgia após vencer, em 2004, o presidente Eduard Shevardnadze, ex-ministro das Relações Exteriores soviético, acusado de fraudes eleitorais.

A imagem que construiu de jovem revolucionário ao entrar no Parlamento com uma rosa na mão deu volta ao mundo. Quatro anos mais tarde, o contraste é evidente: reprimiu sem limites os manifestantes da oposição em novembro de 2007.

Sua imagem de democrata e de favorito do Ocidente mudou quando teve de reagir à crise: dispersou manifestações da oposição com gás lacrimogêneo, invadiu a televisão da oposição e decretou estado de emergência.

Saakashvili conseguiu retomar a iniciativa convocando, de surpresa, eleições presidenciais antecipadas, um gesto que deu mostras de uma personalidade destemida.

"Às vezes ele é extremamente imprevisível, difícil de entender, mas tem um sentido político excepcional. Quer ir muito depressa. E, em política, assim como no amor, é preciso tempo", explicou um diplomata ocidental que trabalha em Tbilisi.

Saakashvili nasceu em Tbilisi em 21 de dezembro de 1967, de pai médico e mãe historiadora. Depois de estudar direito, trabalhou primeiro como advogado em Nova York, antes de ser chamado pelo presidente Shevardnadze para o cargo de ministro da Justiça em 2000.

No ministério da Justiça, lançou uma reforma judicial que gerou conflito com a elite georgiana. Um ano depois, abandonou o cargo.

Na liderança do movimento popular que desencadeará na Revolução da Rosa, venceu o regime de seu ex-mentor e, numa euforia generalizada, foi eleito presidente com 96% dos votos em janeiro de 2004. Saakashvili se tornou assim o presidente mais jovem da Europa.

Desde sua eleição, se comprometeu em modernizar o país, mergulhado na pobreza e na corrupção, lançou várias reformas de mercado e tentou atrair investidores estrangeiros.

Este ex-advogado, formado nos EUA e na Europa, fala perfeitamente o inglês, o francês, o russo e o ucraniano. Projetou a Geórgia num giro total para o Ocidente, e defendeu a adesão de seu país à Otan e a UE, em detrimento de Moscou.

A tática de jovem "exaltado" funcionou em 2004 em Adjaria, uma das três regiões separatistas georgianas, e conseguiu atraí-la para Tbilisi. A estratégia não funcionou, no entanto, na Abkázia, nem na Ossétia do Sul, onde na noite de quinta-feira ordenou uma ofensiva militar.

As relações dele com a Rússia foram se deteriorando, até chegar a um bloqueio econômico da Geórgia desde 2006.

Saakashvili é casado com a holandesa Sandra Elizabeth Roelofs, que conheceu em Paris em 1995, e é pai de dois meninos, Eduard e Nilonoz.


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