Pouco atraído pela política quando jovem, Saad Hariri, filho e herdeiro político do dirigente libanês Rafic Hariri, foi designado neste sábado primeiro-ministro, quatro anos após o assassinato de seu pai.

Três semanas após a vitória nas legislativas da maioria parlamentar apoiada pelo Ocidente, Saad Hariri foi nomeado primeiro-ministro pelo presidente da República, depois de ter sido escolhido para o cargo pela maioria dos deputados.

Com duas vitórias nas legislativas, Hariri tem agora a dura missão de formar o próximo governo libanês, no qual a minoria exige uma participação.

Desde o assassinato de seu pai, no dia 14 de fevereiro de 2005 em Beirute, em um atentado com carro-bomba que mudou drasticamente a vida política libanesa, Saad Hariri, 39 anos, se dedicou integralmente à busca dos autores do ataque, qualificando de "histórica" a inauguração, em março passado, do Tribunal Especial para o Líbano encarregado do caso.

Até 2005, Saad Hariri era um empresário radicado em Riad, onde sua família mantém boas relações com a família real saudita.

Ele assumiu o legado político do pai no lugar de seu irmão mais velho. O jovem líder herdou uma poderosa máquina política, e o enorme capital de fervor popular que se manifestou no Líbano após o assassinato de Rafic Hariri.

As campanhas eleitorais de 2005 e 2009 ressaltaram sua proximidade com o povo, que sempre compareceu em número a seus eventos públicos.

Quando seu movimento ganhou as legislativas, em junho de 2005, ele recusou o posto de primeiro-ministro, ficando apenas com o cargo de líder da maioria parlamentar.

Ele se tornou um dos mais ferrenhos detratores do presidente libanês da época, Emile Lahud, próximo da Síria e que teve alguns de seus principais colaboradores, presos por quatro anos e libertados em abril de 2009, suspeitados de terem participado indiretamente do assassinato de Rafic Hariri.

Deixando a gestão do poder ao primeiro-ministro Fouad Siniora, um fiel escudeiro de seu pai, ele percorreu o mundo, sendo recebido pelos dirigentes estrangeiros - sobretudo americanos - como um chefe de Estado.

Entre 2005 e 2007, quando se multiplicaram os assassinatos contra personalidades anti-sírias, ele ficou fora do Líbano a maior parte do tempo, limitando suas aparições públicas.

Ele não duvidou em chamar o poder sírio de "regime de assassinos", o que lhe valeu a acusação formulada pelo presidente da Síria, Bachar al-Assad, de ser o "lacaio" dos ocidentais.

Considerado o arquiteto da reconstrução do Líbano após anos de guerra civil (1975-1990), Rafic Hariri sempre teve o cuidado de manter sua família longe da vida pública, para prevenir qualquer acusação de nepotismo.

Saad Hariri, que também tem a nacionalidade saudita, dirigia a Ryad Saudi Oger, a empresa de construção que fez a fortuna de seu pai.

Formado em economia na universidade americana de Georgetown (Washington), ele é casado com Lara Bachir Azm, cuja família exerceu o poder na Síria nos anos 50. O casal tem dois filhos.

A revista Forbes avaliou este ano a fortuna de Saad Hariri em 1,4 bilhão de dólares.

ram/yw

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