Russos protestam contra eleição e presidente pede reforma política

Possíveis mudanças no sistema político mostram que protestos e insatisfação com 12 anos de domínio Putin começam a surtir efeito

iG São Paulo |

AFP
Manifestante protesta com foto de Stálin
Milhares de pessoas saíram às ruas de Moscou neste domingo para protestar contra os resultados das eleições legislativas na Rússia. No entanto, o Partido Comunista conseguiu reunir entre 3.000 e 5.000 pessoas, uma mobilização modesta se comparada a das últimas semanas e para um partido que ficou em segundo lugar.

O presidente Dmitry Medvedev, pediu uma reforma do sistema político “exausto” da Rússia, sinalizando que os protestos nas ruas e a insatisfação com os 12 anos de domínio de Vladimir Putin estão começando a ter algum impacto.

Em sua página na web, o Partido Comunista afirmou ter "entre 10.000 e 20.000 pessoas", mas a polícia de Moscou indicou 3.300.

Os manifestantes, muitos deles de idade avançada, levantaram bandeiras vermelhas com a imagem de Lênin.

"Foram as eleições mais sujas dos últimos 20 anos", declarou o chefe do partido, Guenadi Ziuganov, designado na véspera para se apresentar às presidenciais de março.

"Queremos eleições justas", "Putim, demissão!", eram algumas das inscrições nos cartazes da multidão.

O partido, que conseguiu 92 cadeiras sobre 450 na Duma (câmara baixa) nas legislativas de 4 de dezembro , denuncia fraudes, mas não se uniu aos chamados da oposição liberal, que há oito dias reuniu dezenas de milhares de manifestantes em Moscou.

Protestos na Rússia são teste para Putin e seus rivais

Medvedev e Putin negaram a alegação dos manifestantes de que a eleição parlamentar de 4 de dezembro tenha sido fraudada, ignorando pedidos para que a votação fosse repetida. Os líderes também buscaram amenizar a importância dos protestos, enquanto o primeiro-ministro Putin se prepara para retornar à presidência na eleição de março de 2012.

Mas Putin acenou com algumas concessões políticas em sua anual sessão de perguntas e respostas por telefone na quinta-feira. Ele disse que pode mudar a lei para permitir que partidos de oposição sejam registrados e deixar que governadores regionais sejam eleitos, e não escolhidos pelo presidente, se sua candidatura for aprovada antecipadamente.

Reforma

Medvedev foi além neste sábado, dizendo a membros do partido Rússia que o sistema político e o partido governista precisam de reformas.

"Nós estamos enfrentando uma nova fase no desenvolvimento do sistema político e não podemos fechar nossos olhos diante disso. Ela já começou", disse Medvedev em transcrição divulgada pelo Kremlin e publicada no site da presidência.

"Isso não começou como resultado de algumas manifestações, estas estão apenas na superfície, na espuma, se você preferir. É um sinal de insatisfação humana", disse ele. "Isso começou porque o modelo antigo, que serviu fielmente, verdadeiramente e bem ao nosso Estado nos últimos anos, e todos nós o defendemos, está amplamente exausto."

Medvedev não deu detalhes sobre como o Rússia Unida e o sistema político, construído em torno de Putin, deveriam mudar. Porém, evocando o caos que surgiu após a Revolução Bolchevique de 1917, ele deixou claro que os riscos de ignorar o humor das pessoas podem ser extensos.

"O que é a Rússia sem governo? Todos se lembram dos livros de história. É 1917."

* Com AFP e Reuters

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