Russos mantêm suas tropas no oeste da Geórgia

A Rússia anunciou neste sábado que continuará controlando a cidade portuária de Poti, na Geórgia, onde mantém outras posições avançadas, rejeitando as críticas dos ocidentais segundo as quais não está respeitando o acordo de cessar-fogo.

AFP |

"Conforme o acordo de seis pontos (negociado pela França), as forças de manutenção da paz russas controlarão, sob a forma de patrulhas, a situação na cidade de Poti e em outros lugares", declarou o subchefe do Estado-Maior do Exército russo, o general Anatoli Nogovitsyn.

Localizado a cerca de 30 km da região separatista georgiana da Abkházia, Poti é o principal porto comercial da Geórgia, na beira do Mar Negro.

"Todas as atividades do contingente de manutenção da paz russo são baseadas nos seis princípios que foram assinados pelos presidentes da Rússia (Dmitri Medvedev) e da França (Nicolas Sarkozy)", afirmou o general Nogovitsyn.

Sexta-feira, França e Estados Unidos conclamaram a Rússia a "finalizar" sua retirada da Geórgia, "conforme aos compromissos" assumidos por Moscou.

Na espera da instalação de um "mecanismo internacional" de segurança, a Rússia tem o direito de manter tropas de paz fora dos territórios separatistas, mas os limites desta zona de segurança não foram claramente definidos.

Neste sábado, soldados russos da força de manutenção da paz permaneciam nas saídas norte e sul de Poti e em Teklati (oeste), mas tinham deixado a base militar de Senaki, constatou um jornalista da AFP.

Várias centenas de manifestantes georgianos se reuniram para pedir a retirada dos soldados russos posicionados perto de duas pontes ao norte de Poti.

Estas posições "constituem claramente uma violação do cessar-fogo", denunciou o porta-voz do ministério georgiano do Interior, Chota Utiashvili.

As forças russas deixaram a estrada que liga Tbilisi à cidade estratégica de Gori, mas soldados da força de paz instalaram barragens menos de 10 km ao norte desta localidade nas estradas que levam a Tskhinvali, a capital da Ossétia do Sul, constatou um jornalista da AFP.

Comboios militares russos de centenas de veículos e blindados se preparavam na manhã deste sábado a voltar à Rússia pelo túnel de Roki, constatou outro repórter da AFP.

Segundo o secretário do Conselho de segurança georgiano, Alexander Lomaya, as forças russas devem retirar 40 blindados do oeste da Geórgia mas pretendem manter pontos de controle em Poti, Shkhorotsku, Tsalenjikha e Khobi.

"Eles não têm base legal para isso", comentou.

Segundo um mapa mostrado sexta-feira à imprensa pelo Estado-Maior russo, Moscou também se reserva o direito de patrulhar amplos trechos da principal estrada que liga o leste e o oeste da Geórgia.

As tropas russas entraram no território georgiano depois de terem lançado uma ampla contra-ofensiva contra o Exército georgiano, que tinha tentado na madrugada de 8 de agosto retomar o controle da região separatista da Ossétia do Sul.

O general Nogovitsyn acusou a Geórgia de preparar novas ações militares. "Agentes dos serviços especiais georgianos estão escondendo armas com o objetivo de conduzir ataques na Ossétia do Sul e nos distritos fronteiriços", afirmou.

A Rússia também criticou a Otan, que conduz exercícios militares "de rotina" no Mar Negro num momento em que um navio do Exército americano deve entregar ajuda humanitária à Geórgia.

"Não acredito que isso vá contribuir para estabilizar a situação na região", declarou Nogovitsyn, para quem a Otan utiliza o pretexto da ajuda humanitária para reforçar sua presença no Mar Negro.

Na ONU, russos e ocidentais não conseguiram chegar a um acordo sobre uma resolução sobre o conflito na Geórgia. Os aliados de Tbilisi querem que o princípio da integridade territorial da Geórgia seja claramente reafirmado.

A Abkházia e a Ossétia do Sul pediram a Moscou o reconhecimento de sua independência, e o Parlamento russo deve examinar essas demandas na segunda-feira.

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