Russos conquistam zonas abissais do lago Baical, o mais profundo do mundo

Ignacio Ortega Moscou, 29 jul (EFE).- Os batiscafos (espécie de submarino) russos Mir-1 e Mir-2 protagonizaram hoje uma nova façanha ao chegarem hoje ao fundo do lago siberiano Baical, o mais profundo do mundo.

EFE |

"Nós conseguimos", afirmou exultante às agências de notícias russas um membro da expedição que acompanhava a imersão dos batiscafos a partir de um monitor.

A expedição científica russa também definiu que a profundidade do lago, que reúne um quinto das reservas de água doce do planeta, é maior que 1.637 metros.

"Sabe-se que o leito do lago não é plano. Por isso, é provável que se localizem pontos mais profundos", acrescentou, negando que os batiscafos bateram um novo recorde de imersão em água doce, como informou a própria expedição em um primeiro momento.

O primeiro batiscafo a alcançar o fundo do Baical foi o Mir-2 às 10h15 na hora local (3h15, Brasília), enquanto o Mir-1 desceu até os 1.580 metros por causa de uma falha técnica no sistema de navegação, segundo a agência "Itar-Tass".

No leito do lago, os batiscafos instalaram uma pirâmide de aço inoxidável de um metro de altura com o escudo da Rússia e o da república siberiana da Buriátia, próxima à fronteira com a Mongólia.

Cada um dos batiscafos contava com tripulação de três pessoas, entre elas dois pilotos, o chefe do Governo da Buriátia, um deputado federal, um cientista e um dos empresários que financiam a expedição.

Após tocar o leito, os batiscafos e seus ocupantes voltaram sãos e salvos à superfície após seis horas sob a água, de onde foram içados e brindaram com champanhe.

A expedição, que será realizada este ano e no próximo com mais de 100 imersões no Baical, pretende determinar com exatidão sua profundidade, detectar possíveis fontes subterrâneas de processos termais, recolher dados tectônicos - o lago sofre 2 mil sismos anuais de baixa intensidade - e examinar restos arqueológicos.

Segundo os cientistas, o lago poderia ter gases como metano, que poderiam ser liberados para a atmosfera em caso de aquecimento global, o que elevaria perigosamente a temperatura do planeta.

De fato, supostamente devido à mudança climática, a temperatura do Baical já aumentou em 1,21 grau Celsius desde 1946, três vezes mais do que o resto do planeta.

A expedição também tentará comprovar a hipótese da existência de formas de vida sem oxigênio, e os cientistas também aproveitarão para decifrar outra incógnita: as reservas e os recursos energéticos do lago.

A missão científica é organizada por um fundo de assistência para a proteção do lago Baical, dirigido por Artur Chilingarov, vice-presidente da Duma (câmara baixa russa) e pesquisador polar.

Seu financiamento corre a cargo de organizações científicas e ecológicas não-governamentais e empresas privadas.

A expedição e seus resultados serão exibidos em um documentário que terá como meta mostrar a importância de cuidar da natureza Nas próximas imersões, descerá às profundezas abissais do Baical a deputada Natalia Komarova, presidente da comissão de Recursos Naturais e Ecologia da Duma.

"Devemos compreender como usar e como proteger o Baical, sem prejudicar seu ecossistema", declarou a parlamentar à "Itar-Tass".

Os batiscafos já entraram para a história no ano passado ao cravarem a bandeira da Rússia no fundo do Oceano Glacial Ártico, bem embaixo do Pólo Norte geográfico, a 4.261 metros de profundidade.

Além disso, o Mir-1 e o Mir-2 também participaram das filmagens dos restos do Titanic, utilizadas depois no famoso filme dirigido por James Cameron, e na liquidação das seqüelas radiativas provocadas pelo afundamento do submarino nuclear Kursk, em 2000.

Com uma superfície de 31.500 quilômetros quadrados, 636 quilômetros de comprimento e 23.400 quilômetros cúbicos de água, o Baical supera amplamente o volume conjunto de água dos Grandes Lagos, na fronteira entre Estados Unidos e Canadá.

O lago abriga 848 espécies de animais que não existem em nenhuma outra parte do mundo, como a golomianka, animal vivíparo que habita a mil metros de profundidade, e o pequeno epishura, caranguejo de apenas dois milímetros. EFE io/wr/rr

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