Por Conor Sweeney MOSCOU (Reuters) - O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, sugeriu na quinta-feira que seu país pode deixar de colaborar com o Ocidente contra o programa nuclear do Irã devido à crise na Geórgia.

Os EUA e seus aliados ameaçam suspender a cooperação com a Rússia em vários campos devido à recusa de Moscou em retirar suas tropas da Geórgia. A exemplo do Ocidente, a Rússia também tenta restringir o programa nuclear iraniano, embora habitualmente seja menos inclinada a sanções.

'Se ninguém quer conversar conosco a respeito dessas questões e se a cooperação com a Rússia não é necessária, então pelo amor de Deus, façam isso sozinhos', disse Putin à CNN.

Mas ele deixou claro que Moscou não quer romper a cooperação e que EUA e Rússia têm um interesse comum em resolver a questão do Irã.

Segundo a transcrição divulgada no site oficial de Putin (www.government.ru), a Rússia age de forma 'consistente e consciente' a respeito do Irã 'não porque alguém esteja nos pedindo e nem porque queiramos aparecer bem aos olhos de alguém'. 'Fazemos isso porque corresponde ao nosso interesse nacional, porque nesse campo nossos interesses coincidem com aqueles de muitos países europeus e dos Estados Unidos.'

Na quinta-feira, o presidente russo, Dmitry Medvedev, tomou a iniciativa de discutir a questão nuclear iraniana durante um encontro que manteve no Tadjiquistão com o presidente da República Islâmica, Mahmoud Ahmadinejad.

'O presidente russo aventou a possibilidade de continuar o diálogo e a discussão', disse a jornalistas Natalia Timakova, porta-voz de Medvedev, sem entrar em detalhes.

Washington pressiona por sanções mais duras contra o Irã no Conselho de Segurança da ONU, e para isso precisa de apoio russo, que tem poder de veto e já aceitou três pacotes prévios de punições ao país.

Teerã diz que seu programa nuclear é pacífico.

(Reportagem de Denis Dyomkin, em Dushanbe, e Conor Sweeney, em Moscou)

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