Rússia vai tentar levar 'Mercador da Morte' de volta ao país

Ex-contrabandista que inspirou filme Senhor das Armas foi condenado por um tribunal de Nova York por tentar vender armas às Farc

iG São Paulo |

A Rússia anunciou nesta quinta-feira que vai tentar levar de volta ao país o ex-contrabandista de armas condenado Viktor Bout, que inspirou o personagem do livro e filme Senhor das Armas, e acusou os Estados Unidos de sujeitá-lo a métodos de detenção "controversos".

AFP
Suposto traficante de armas Viktor Bout (à esq.) chega para audiência em Corte Criminal em Bangcoc, Tailândia (20/8/2010)
Na quarta-feira, um tribunal de Nova York considerou Bout culpado por tentar vender armamentos pesados às Farc (Forças Armadas Revolucionárias Colombianas), grupo rebelde que teria como objetivo atacar soldados americanos.

Promotores disseram que Viktor Bout, 44 anos, conhecido pela alcunha de "Mercador da Morte" fez milhões fornecendo armas ao grupo. A defesa, que já garantiu que vai recorrer da decisão, argumentou que ele queria vender somente dois aviões de carga.

O ex-oficial militar da União Soviética foi preso em Bangcoc em 2008 por uma operação da Agência Anti-Drogas dos Estados Unidos (DEA, na sigla em inglês), na qual informantes dos EUA se passaram por rebeldes colombianos, e foi extraditado aos EUA dois anos depois para enfrentar acusações relacionadas ao terrorismo.

"Nosso objetivo é tentar trazê-lo de volta à sua terra natal", disse o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Alexander Lukashevich, em comunicado, recusando-se a dizer como a Rússia pretendia concretizar seu retorno.

Bout se declarou inocente no tribunal, em um processo judicial que poderá prejudicar a recente tentativa de reaproximação entre EUA e Rússia, sob o comando do presidente norte-americano, Barack Obama, e o presidente russo, Dmitry Medvedev. Sua pena poderá variar de 25 anos de prisão à prisão perpétua.

Segundo a BBC, nesta quinta-feira, o chanceler russo acusou os EUA em comunicado de quebrar padrões internacionais durante a prisão e interrogatório de Bout. De acordo com ele, os EUA sujeitaram Bout a "injustificáveis condições duras na detenção" e "métodos controversos de natureza física e psicológica que contraria padrões internacionais". "Todos esses fatores questionam os fatos nos quais a promotoria se baseou e a justiça do veredicto", disse em comunicado.

O comunicado afirmou que a chancelaria "tomaria todas as medidas" para proteger os direitos de Bout. A condenação de Bout ocorreu semanas depois que a Rússia impediu algumas autoridades norte-americanas de visitarem o país, em resposta à morte na prisão de um advogado de fundos especulativo russo, Sergei Magnitsky.

Com informações da Reuters e BBC

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