Rússia vai retirar forças da Geórgia em um mês, anuncia Sarkozy

As forças russas vão se retirar completamente do território georgiano, com exceção das regiões separatistas da Ossétia do Sul e Abkházia, em um mês, anunciou o presidente francês, Nicolas Sarkozy.

Redação com agências internacionais |

"O que decidimos com o presidente (Dmitri) Medvedev significa concretamente que, em uma semana no máximo, serão suspensos os postos de controle entre Poti (porto estratégico georgiano) e Sinaki", declarou Sarkozy, que agradeceu "à parte russa por ter aceitado prazos precisos".

"Em um mês acontecerá a retirada completa das forças militares russas do território georgiano, com exceção da Ossétia e Abkházia. Em um mês", insistiu Sarkozy, depois de um encontro com o presidente russo Dmitri Medvedev em sua residência em Barvikha, perto de Moscou.

Medvedev disse, por sua vez, que todos os esforços necessários foram feitos para a resolução do conflito conforme o plano, mas que surgiu uma situação nova após o reconhecimento por Moscou das repúblicas separatistas georgianas da Ossétia do Sul e da Abkházia.

"Há algumas considerações a fazer sobre o modo como devemos avançar, de acordo com o plano que aprovamos", destacou o chefe do Kremlin.

Medvedev insistiu ainda que a decisão de Moscou de reconhecer a Ossétia do Sul e a Abkházia é "uma opção é final e irrevogável".


Sarkozy se encontrou com o presidente russo Dmitri Medvedev / Reuters

Visita diplomática

Sarkozy está acompanhado do presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, e do chefe da diplomacia da UE, Javier Solana, com um mandato preciso formulado durante a cúpula da UE de 1º de setembro: fazer as tropas russas recuarem para suas posições anteriores ao conflito, que começou dia 7 de agosto.

Depois de Moscou, Sarkozy, Barroso e Solana irão na noite de segunda-feira até Tbilisi para reforçar seu apoio ao presidente georgiano Mikhail Saakachvili e passar a ele os resultados muito esperados de suas discussões com o chefe do Kremlin.

Se a crise continuar após a reunião desta segunda-feira, a UE terá de ser mais firme com Moscou, advertiu o chefe da diplomacia francesa, Bernard Kouchner, evocando principalmente a criação de uma central européia de compra de gás para reduzir a dependência energética da UE com relação à Rússia.

A anulação da Cúpula UE-Rússia de 14 de novembro está entre as sanções possíveis.

Em 12 de agosto, Sarkozy havia negociado sozinho e com urgência em Moscou um plano de paz que lhe valeu críticas em razão de zonas obscuras sobre as quais a Rússia se apoia hoje para justificar a manutenção de seus soldados na Geórgia, além das regiões separatistas da Ossétia do Sul e da Abkházia.

Sarkozy deseja obter avanços sobre três pontos: o deslocamento rápido dos observadores da UE na Geórgia, um calendário preciso para a retirada das tropas russas e discussões internacionais sobre o futuro da Abkházia e da Ossétia do Sul.

A Rússia, no entanto, se opôs a esta missão da UE antes mesmo que o presidente francês iniciasse suas discussões com seu colega russo.

A Rússia diz que mantém soldados na Geórgia apenas nas zonas chaves, conforme o ponto cinco do acordo de paz, que prevê medidas adicionais de segurança das forças russas até a adoção de um "mecanismo internacional".

A Rússia reforçou com 60 homens, domingo, sua presença militar em torno do porto de Poti, uma posição estratégica avançada no território georgiano, afirmou por sua vez nesta segunda-feira o governo georgiano.


Mapa da Geórgia


Leia mais sobre: Geórgia - Ossétia do Sul

    Leia tudo sobre: georgia

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG