Rússia trava guerra contra Geórgia, diz presidente georgiano

O presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, disse em entrevista à CNN na sexta-feira que a Rússia está travando uma guerra contra seu país. Temos tanques russos entrando. Temos bombardeios russos contínuos desde ontem.. especialmente, contra a população civil, disse Saakashvili à CNN.

Redação com agências |

"A Rússia está lutando uma guerra contra nós em nosso próprio território", acrescentou.

O presidente norte-americano, George W. Bush, e o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, discutiram a crise na Geórgia em Pequim, onde acompanham a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, segundo o porta-voz da Casa Branca, Gordon Johndroe sem dar mais detalhes.

O ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, disse ter recebido relatos de limpeza étnica na Ossétia do Sul.


Tanques da Geórgia patrulham a cidade de Gori/EFE

Blindados russos entraram na capital da região separatista da Ossétia do Sul, Tskhinvali, na sexta-feira, disse uma fonte de um quartel-general regional russo segundo a agência de notícias RIA.

"Essa é uma agressão direta da Rússia... Estamos sofrendo agora porque queremos ser livres e queremos ser uma democracia multi-étnica", disse o presidente da Geórgia na entrevista.

"Estamos nessa situação de legítima defesa contra um vizinho grande e poderoso. Somos um país com menos de 5 milhões de pessoas e, certamente, nossas forças são incomparáveis (com as da Rússia)", disse o presidente.

Saakashvili também disse que é do interesse dos Estados Unidos ajudar a Geórgia. "Não é mais sobre a Geórgia. É sobre a América, são valores", disse ele. "Somos uma nação que ama a liberdade e que agora está sob ataque".

O Pentágono informou que monitora de perto a situação na Ossétia do Sul e que ainda não recebeu nenhum pedido de ajuda das autoridades georgianas. O Departamento de Defesa dos Estados Unidos tem menos de 120 funcionários da Geórgia. Eles estão lá para treinar as forças georgianas.

Saakashvili disse que as forças de seu país derrubaram dois aviões russos. "Um dos aviões atacava especificamente um hospital civil, ferindo médicos e pacientes, sem nenhum propósito", disse.

Saakashvili disse ter testemunhado um ataque aéreo russo --dois jatos voando muito baixo, procurando "um mercado em uma tarde muito movimentada, e atingindo-o, acertando a multidão".

Segundo agências de notícias, um importante comandante militar disse na sexta-feira que mais de dez membros da força de paz russa foram mortos nos combates em Tskhinvali.

"Como resultado do bombardeio georgiano, mais de 10 membros de nossas forças de paz foram mortos e 30 ficaram feridos", disse Igor Konashenkov, vice-comandante das forças terrestres.

O presidente da Ossétia do Sul, Eduard Kokoity, disse, segundo a agência Interfax, que centenas de civis foram mortos nos combates da capital da região.


Imagem da TV capta tanque georgiano queimando após ataque na Ossétia do Sul/AP

Conflito

A Geórgia acusa a Rússia de armar os rebeldes da Ossétia do Sul, que tentam a separação desde a guerra civil da década de 90, quando a região declarou sua independência. Moscou nega essas acusações.

A Rússia está insatisfeita com a ambição da Geórgia de integrar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan, a aliança de defesa ocidental), e acusou o país de concentrar suas forças em torno das regiões separatistas, onde tropas de paz russas estão estacionadas.

História

Depois da queda da União Soviética, em 1991, a Geórgia votou pela restauração da independência que havia brevemente experimentado durante a Revolução Bolchevique.

No entanto, a postura nacionalista refletiu em problemas com a região norte da fronteira da Geórgia, habitada pelos ossetas - um grupo étnico distinto natural das planícies russas, ao sul do rio Don.

A Ossétia do Sul fica do lado georgiano da fronteira, enquanto a Ossétia do Norte fica em território russo. Apesar disso, os laços entre as duas regiões permaneceram fortes e o movimento pela independência osseta foi estimulado pelas dificuldades enfrentadas na época dos czares, no período comunista até atualmente.

Quando a Geórgia se separou da União Soviética, o governo nacionalista proibiu o partido político da Ossétia do Sul, o que levou os ossetas a boicotarem a política georgiana e realizarem suas próprias eleições - pleito que foi considerado ilegal pela Geórgia.

Os conflitos entre os separatistas e as forças georgianas começaram nesta época, mas o Exército da Geórgia não exterminou os rebeldes ossetas por medo de uma intervenção russa.

A Ossétia do Sul proclamou sua independência em 1992, mas sua autonomia não foi reconhecida pela comunidade internacional. A região quer ser agregada à Federação Russa, assim como a Ossétia do Norte.

A situação está frágil desde 1990 e se agravou ainda mais há quatro anos, quando os georgianos começaram a realizar operações policiais e de combate ao contrabando na região.

Com informações da Reuters e da BBC Brasil

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