Rússia torna públicos arquivos acusando a Polônia de subestimar os nazistas

A Rússia tornou públicos nesta terça-feira arquivos que acusam a Polônia de ter subestimado a ameaça nazista antes da Segunda Guerra Mundial, em um momento em que o primeiro-ministro russo Vladimir Putin participa nas cerimônias pelo 70º aniversário do início do conflito em Gdansk (Polônia).

AFP |

Um general dos serviços de informação externa (SVR) apresentou à imprensa documentos liberados sobre os "Segredos da política da Polônia em 1939-1945".

"Lendo estes documentos, temos a impressão de que a Polônia poderia ter feito muito mais para formar o sistema de segurança coletivo", declarou o general Lev Sotskov.

Segundo estes documentos, os dirigentes poloneses de então fizeram todo o possível para isolar a União Soviética, subestimando o regime nazista, de acordo com o general.

A Alemanha nazista e a Polônia assinaram um pacto de não agressão em 1934.

O general acusou também a diplomacia polonesa de então de instigar revoltas entre os povos da União Soviética para desunir a URSS.

Estes comentários provocaram uma reação irada dos jornalistas poloneses, que acusaram o general russo de prejudicar as relações russo-polonesas e manifestaram suas dúvidas sobre a autenticidade dos documentos apresentados.

Putin, por sua vez, rebateu nesta terça-feira em Gdansk (norte da Polônia) as críticas que, sobretudo na Polônia, atribuem ao pacto germano-soviético Molotov-Ribbentrop a responsabilidade do início da Segunda Guerra Mundial.

"Vemos tentativas persistentes de sugerir que o desencadeamento da Segunda Guerra Mundial foi possível exclusivamente pelo pacto Molotov-Ribbentrop", declarou Putin em uma entrevista coletiva conjunta com o colega polonês, Donald Tusk.

"Por quê difundir esta falsa tese na opinião pública e especular sobre ela na política interna? É a pior coisa que poderíamos fazer", disse.

"Tudo o que levou à tragédia de 1º de setembro de 1939 deve ser estudado para que nunca mais se repita".

"O pacto germano-soviético foi o último de uma série de documentos, em um momento em que todo o mundo havia cometido erros", disse.

Putin citou outros acordos que para ele propiciaram o conflito, entre eles o tratado de Munique.

Em um artigo publicado ma segunda-feira no jornal polonês Gazeta Wyborcza, Putin condenou o pacto Alemanha-URSS, mas destacou que a União Soviética de Stalin não tinha outra alternativa, sem fazer referência à invasão da Polônia pelo Exército russo em 17 de setembro de 1939.

O primeiro-ministro russo desembarcou em Gdansk para as cerimônias do 70º aniversário do início da Segunda Guerra Mundial, ao lado de outros chefes de Governo, incluindo a alemã Angela Merkel, o italiano Silvio Berlusconi e o francês François Fillon.

sjw-neo/cn/fp

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