Rússia termina o ano com teste de míssil intercontinental bem-sucedido

Moscou, 24 dez (EFE).- A Rússia fechou o ano com o lançamento bem-sucedido hoje de um míssil terrestre intercontinental RS-20B, após uma série de testes fracassados do novo míssil Bulava, com o qual planeja dotar seus submarinos nucleares de última geração.

EFE |

O foguete foi lançado de uma unidade situada na região de Orenburgo, na parte europeia do país, às 09h30 locais (04h30, no horário de Brasília), segundo disse à agência oficial "Itar-Tass" o porta-voz das Forças Estratégicas da Rússia, coronel Vadim Koval.

O militar afirmou que os preparativos, o lançamento e o voo do míssil foram efetuados de acordo com o programa previsto e que as cargas que o foguete levava impactaram os alvos situados em um polígono na península de Kamchatka, no extremo oriente da Rússia.

Este foi o segundo teste de um míssil terrestre intercontinental russo em duas semanas: no dia 10 as Forças Estratégicas testaram um RS-12M Topol, também com sucesso.

Apesar destes lançamentos de mísseis russos terrestre terem sido efetuados sem contratempos, não é possível dizer o mesmo sobre os Bulava.

Segundo a agência "Interfax", que cita dados não oficiais, dos 12 testes realizados com o novo míssil, sete fracassaram, o que na levou alguns analistas a questionarem a conveniência de continuar o desenvolvimento do projeto.

No entanto, a criação de outro foguete não só significaria investimentos, mas também a perda dos três submarinos de quarta geração Borei, um dos quais já se encontra em período de testes.

Estes submarinos nucleares foram projetados especialmente para levar os Bulava.

Em entrevista publicada hoje pelo jornal governamental "Rossiiskaya Gazeta", o ministro da Defesa russo, Anatoli Serdiukov, assegurou que o quarto submersível da série Borei será construído e que o país não renunciará aos Bulava.

No início da semana, o comandante-em-chefe da Marinha russa, o almirante Vladimir Visotski, declarou que os testes do Bulava serão retomados uma vez que sejam estabelecidas as causas dos fracassos, o último no dia 11 de dezembro.

Ao referir-se às causas dos lançamentos fracassados, o ministro da Defesa disse que são "muitas e incluem a falta de disposição das centrais produtivas a fazer as coisas com exatidão".

"Além disso, há assuntos relativos à disciplina produtiva. Alguém tenta substituir materiais com outros, o que tem uma série de consequências", disse o titular da Defesa.

Serdiukov se mostrou convencido de que o Bulava será um míssil confiável, mas admitiu que os problemas não são resolvidos tão rapidamente quanto ele queria.

O míssil R30 3M30 Bulava-30 (SS-NX-30, segundo a classificação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) é uma versão naval do Topol, míssil com um alcance efetivo de 11 mil quilômetros e capaz de levar até seis cargas nucleares.

A Rússia confia em que os Topol e os Bulava permitirão manter a paridade nuclear com os Estados Unidos pelo menos durante os próximos 50 anos.

Os militares russos asseguram que esses mísseis são capazes de burlar todos os sistemas de defesa até agora conhecidos. EFE bsi/pd

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