Rússia tentará romper dominação do G7 na cúpula do G20

A Rússia encara a cúpula do G20 neste fim de semana, em Washington, como uma ocasião única para se afirmar no cenário internacional e romper com a hegemonia das economias mais industrializadas do G7, com o apoio da Índia e da China.

AFP |

Moscou quer aproveitar "esta oportunidade de crise e mudanças políticas que estão acontecendo no mundo para quebrar a dominação dos Estados Unidos e de outros países, criando uma plataforma mais ampla, que dê um direito de palavra real à Rússia e a países como China e Índia", declarou Chris Weafer, analista do banco russo Uralsib.

Para Weafer, a Rússia pode arrebatar a liderança dos dois países asiáticos que, embora sejam "grandes economias com reservas de câmbio consideráveis, tendem a atuar mais discretamente nos bastidores".

Moscou, que acusa os Estados Unidos pela crise econômica mundial, pede a refundação das instituições financeiras internacionais e a criação de centros financeiros regionais.

"Esta crise está provocando problemas consideráveis em nossos países", estimou o ministro russo das Finanças, Alexei Kudrin, referindo-se a Brasil, Rússia, Índia e China (os chamados 'Brics'), em uma entrevista divulgada na sgunda-feira.

"Ficou claro que os Estados Unidos são responsáveis por 99% da crise mundial", acrescentou, falando para o canal de televisão Rússia Today após a reunião dos ministros das Finanças e diretores de bancos centrais do G20 no final de semana passado, em São Paulo.

"Agora estamos completamente certos de que o sistema atual de instituições usadas para resolver esta crise, incluindo o FMI, não funciona", disse Kudrin, destacando que os votos da China e da Rússia são "tão insignificantes que podem ser facilmente anulados pelo voto de três países pequenos".

Quanto ao G8, o grupo dos sete países mais industrializados do mundo mais a Rússia, "a maior parte do tempo das cúpulas será dedicado de agora em diante às discussões ampliadas, como foi o caso no Japão" em julho, advertiu Arkadi Dvorkovich, conselheiro econômico do presidente russo, Dimitri Medvedev.

Participaram da cúpula do G8 em Hokkaido (norte do Japão), em julho deste ano, Brasil, México, China, Índia e vários países africanos.

Moscou já enviou propostas a seus aliados antes da cúpula do G20 - entre elas, a harmonização das normas de contabilidade e o reforço das exigências impostas ao capital dos bancos, idéias que coincidem em grande parte com as dos demais participantes, apontou Dvorkovich.

Kudrin mencionou ainda a idéia de impor limites ao déficit orçamentário e à dívida pública em todo o mundo, seguindo o modelo do Pacto de Estabilidade da zona do euro.

A Rússia também espera que sejam estabelecidas normas especiais para países cujas moedas sirvam de reserva, para que "se sintam responsáveis perante os países que utilizam essas moedas como reserva", indicou Kudrin.

No entanto, "o que conta mais para Moscou é que o debate aconteça no G20, o resto é negociável", comentou Weafer.

uh/ap

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