Rússia suspende importação de vegetais da Europa por bactéria intestinal

União Europeia reage à decisão afirmando que ela é desproporcional; surto deixa 18 mortos e mais de 1,5 mil contaminados

iG São Paulo |

AP
Fazendeiro produtor de pepinos em Algarrobo, perto de Málaga, na Espanha. Inicialmente, pepinos espanhóis foram apontados como causa do surto
A Rússia proibiu nesta quinta-feira a importação de todas as verduras e legumes frescos de países da União Europeia por causa do surto de infecções por uma cepa da bactéria E.coli que deixou 18 mortos - 17 na Alemanha e um na Suécia. Quase todos os infectados vivem na Alemanha ou haviam viajado recentemente ao país.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o surto que atinge a Europa é causado por uma cepa (variação da bactéria) completamente nova .

O chefe da agência de proteção ao consumidor da Rússia, Gennady Onishchenko, afirmou que há ordens para interceptar todos os carregamentos provenientes da União Europeia (UE). "A proibição de importar verduras frescas de todos os países da UE entrou em vigor nesta manhã", disse.

Segundo Onishchenko, as verduras que chegaram recentemente da UE "serão apreendidas em toda a Rússia". "Convido todos a renunciar às verduras importadas em favor dos produtos locais", afirmou. Ele criticou também os padrões de higiene alimentar da UE. "Isso mostra que a elogiada legislação de saúde da Europa, que a Rússia era pressionada a adotar, não funciona", afirmou.

A decisão fez a Comissão Europeia (CE) pedir explicações da Rússia por sua decisão "desproporcional". "É desproporcional", disse Frederic Vincent, porta-voz da área de Saúde da CE. "A comissão escreverá às autoridades russas para pedir explicações. Isso representa entre 3 e 4 bilhões de euros de produtos europeus exportados por ano", disse.

Vários países tomaram medidas para tentar se prevenir do surto, como a proibição da importação de pepinos e a remoção de legumes e verduras das prateleiras dos mercados. As autoridades de saúde também recomendaram às pessoas que lavem bem frutas, verduras e legumes e também pratos e talheres, além de lavar bem as mãos antes das refeições.

Até agora, o surto atingiu mais de 1,5 mil pessoas, incluindo 470 que desenvolveram a rara complicação renal da síndrome hemolítico-urêmica (SHE), e deixou 18 mortos - 17 na Alemanha e um na Suécia. A SHE ataca os rins, às vezes causando convulsões, derrames e comas. 

Inicialmente, as autoridades alemãs haviam apontado pepinos importados da Espanha como foco do surto, mas depois descartaram a possibilidade e dizem que ainda tentam descobrir a origem da contaminação .

Segundo a BBC, mais de 25% de todos os legumes e verduras exportados pela UE têm a Rússia como destino, tornando o país o maior mercado para os produtores europeus. No início da semana, a Rússia já havia proibido a importação de vegetais crus da Alemanha e da Espanha.

O chefe do instituto de saúde pública que lidera o combate ao surto de E.coli na Alemanha afirmou à BBC que pode levar meses para que a epidemia seja contida. Segundo Reinhard Burger, presidente do Instituto Robert Koch, é possível que nunca se descubra a fonte das infecções.

Processo espanhol

A Espanha ameaça processar as autoridades alemãs por causa do prejuízo provocado pela crise aos produtores locais. O governo espanhol estima em mais de 200 milhões de euros (cerca de R$ 455 milhões) por semana as perdas provocadas pela suspensão de exportações.

A CE suspendeu na quarta-feira sua advertência sobre os pepinos espanhóis, dizendo que testes não confirmaram a presença nos vegetais do tipo específico da bactéria responsável pelo surto de infecções.

Burger disse que as autoridades alemãs haviam tentado balancear os riscos quando acusaram equivocadamente os produtos espanhóis. Ele disse que as autoridades tinham de agir rapidamente - apesar de a recomendação ter depois se mostrado equivocada.

"Queríamos evitar novas fontes de infecção. É um balanço difícil", disse. "Você não quer esperar muito, mas ao mesmo tempo não quer criar alarme falso", observou.

Além da Alemanha, outros oito países europeus já registraram casos de infecção pela E.coli - Áustria, Dinamarca, Holanda, Noruega, Espanha, Suécia, Suíça e Grã-Bretanha.

*Com BBC, AP, AFP e EFE

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