Rússia suspende cooperação com Otan

A Rússia anunciou nesta quinta-feira a suspensão da cooperação militar com a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte, a aliança militar ocidental liderada pelos Estados Unidos). Ao falar com repórteres em Sochi, no oeste da Rússia, o ministro do Exterior russo, Sergei Lavrov, disse que Moscou não está fechando a porta para uma futura cooperação, mas acrescentou que a Otan tem de decidir se é mais importante apoiar a Geórgia ou desenvolver uma parceria com a Rússia.

BBC Brasil |

"Tudo depende não de nós, mas daqueles que tomam as decisões sobre quais são as prioridades de política externa para os líderes da Otan", disse Lavrov.

A Otan havia alertado Moscou na terça-feira que o futuro das suas relações dependia de a Rússia recuar suas tropas para as posições anteriores ao conflito com a Geórgia. Mas a aliança militar não havia chegado a paralisar a cooperação com Moscou.

A porta-voz da Otan, Carmen Romero, disse apenas que a aliança registrou a decisão russa.

O governo americano minimizou a importância da medida russa, dizendo que a Otan já havia na prática suspendido toda a cooperação com Moscou em protesto contra a presença na Geórgia.

"Para todos os efeitos práticos, a cooperação militar com os russos já havia acabado", disse o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Gordon Johndroe.

Os dois adversários de Guerra Fria haviam assinado um acordo em 2002 em que começaram a cooperar em uma série de projetos, como o uso do território russo pela Otan para transporte de mantimentos não-militares para o Afeganistão.

Retirada russa
Embora os russos tenham assinado, na semana passada, um cessar-fogo com a Geórgia, mediado pela França, ainda não está clara a extensão da retirada russa.

A Rússia disse que vai tirar a maior parte das suas forças da Geórgia até sexta-feira, mas também deixou claro que pretende deixar um contingente na Ossétia do Sul e na Abecásia, assim como 500 militares no que chamou de zona de segurança, dentro do território georgiano.

Moscou alega que a zona foi definida em um acordo previamente assinado com a Geórgia sobre patrulhamento conjunto para a manutenção da paz na região.

Tropas de paz lideradas pela Rússia atuam na região desde uma guerra entre georgianos e ossetianos, no início dos anos 90.

Protestos separatistas
Ainda nesta quinta-feira, milhares de pessoas foram às ruas nas duas regiões separatistas da Geórgia, Ossétia do Sul e Abecásia, para pedir independência.

Os protestos foram realizados na capital da Abecásia, Sukhumi, e em Tskhinvali, capital da Ossétia do Sul, nesta quinta-feira.

Vestidas de preto, mães e viúvas dos mortos no conflito, com fotografias grudadas no peito, foram às ruas de Tskhinvali, enquanto o líder separatista, Eduard Kokoity, fazia um dicurso atacando a Geórgia e seus aliados ocidentais.

"Nós dizemos com orgulho hoje que nós merecemos viver em uma república da Ossétia do Sul livre e independente. O reconhecimento da nossa independência não é um capricho dos ossetianos; é uma garantia de segurança para o nosso pequeno povo."
Kokoity anunciou que vai pedir formalmente o reconhecimento da região à Rússia alegando que, depois do conflito, os ossetianos nunca aceitarão fazer parte da Geórgia.

"Eu já preparei um pronunciamento ao Presidente da Federação Russa (Dmitri Medvedev), ao Conselho da Federação e à Duma, e aos chefes de Estado da comunidade internacional, com um pedido para reconhecer a nossa independência", disse o líder separatista.

O ministro do Exterior da Rússia, Sergei Lavrov, disse que a resposta de Moscou ao apelo dos separatistas vai depender do comportamento do presidente georgiano, Mikhail Saakashvili.

O conflito na Ossétia do Sul se agravou no dia 7 de agosto, quando a Geórgia tentou retomar militarmente o controle da região, que havia declarado independência em 1992 após uma guerra.

Os georgianos acabaram expulsos por forças russas, parte das quais foram além das fronteiras da Ossétia do Sul, e depois da Abecásia - outra região separatista pró-Moscou -, e entraram em outras cidades georgianas, como Gori e Poti.

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