Rússia se retira lentamente da Geórgia, mas permanecerá em zonas estratégicas

O exército russo dava sinais nesta sexta-feira de uma lenta retirada da Geórgia, apesar de avisar que pretende permanecer no controle de zonas estratégicas e nas regiões separatistas que já contam com sua presença desde os anos 1990.

AFP |

Uma coluna de veículos militares com centenas de soldados se dirigia para a região separatista pró-russa da Ossétia do Sul, deixando para trás a localidade georgiana de Gori, segundo um jornalista da AFP.

O secretário do Conselho de Segurança georgiano, Alexandre Lomaia, confirmou que o exército russo começou a se retirar de Gori e que prometeu que terá evacuado a estratégica cidade da Geórgia ainda nesta sexta-feira,

"O general russo Vyacheslav Borisov (responsáve na região) nos afirmou que os russos terão saído de Gori às 17H00 (local) e que estarão em Java (na Ossétia do Sul) às 20H00 (13H00 de Brasília)", declarou Lomaia.

"Posso confirmar que os russos já deixaram dois postos de controle em Gori e que 13 de seus veículos blindados deixaram a cidade", acrescentou.

Moscou prometeu concluir sua retirada da Geórgia na noite desta terça, apesar de afirmar que que um contingente de 500 homens permanecerá numa zona em torno da Ossétia.

Mas Rússia afirmou que ser reserva o direito de aumentar o número de seus soldados de paz na Geórgia em caso de necessidade, segundo palavras do chefe adjunto do Estado-Maior, Anatoli Nogovitsin.

A Rússia também manterá o controle dde uma estrada estratégica que liga a capital georgiana, Tbilisi, ao Mar Negro, inclusive uma vez concluída a retirada de suas tropas da Geórgia.

O vice-ministro georgiano da Defesa, Batu Kutelia, por sua vez, admitiu, em entrevista ao Financial Times, que a Geórgia não esperava que a Rússia respondesse com uma demostração de força sua incursão na Ossétia do Sul e não estava preparada para a posterior ofensiva militar, admitiu nesta sexta-feira

Kutelia reconheceu que a Geórgia não tinha defesas antitanque e antiaéreas suficientes quando agiu na Ossétia do Sul, mas estimou que "naquele momento, não havia escolha".

Tanques russos entraram na Geórgia no dia 8 de agosto, inicialmente para impedir uma tentativa do Exército georgiano de tomar o controle da Ossétia do Sul.

As tropas georgianas foram posteriormente expulsas da Abkházia, outra região separatista, enquanto a Rússia assumia o controle de diversas cidades, bases militares e estradas da Geórgia.

Já o parlamento da Ossétia do Sul pediu formalmente à Rússia que reconheça a independência desta região georgiana rebelde pró-russa, informou a agência RIA Novosti.

O Parlamento apelou para a liderança da Rússia, segundo a agência estatal, alegando que a Ossétia do Sul dispõe de todos os atributos para ser um Estado.

O pedido foi feito duas semanas depois da ação das tropas russas para impedir uma tentativa da Geórgia de recuperar o controle sobre a Ossétia do Sul, um território estreito na fronteira entre Geórgia e Rússia.

Enquanto isso, o general John Craddock, chefe da unidade européia do Exército americano e comandante da Otan na Europa, afirmou que as tropas russas se retiram da Geórgia "a passos de tartaruga".

"Segundo minhas informações, se (os russos) se movimentam é a passos de tartaruga. É muito pouco em muito lento", declarou o general Craddock à imprensa.

Por fim, o Conselho de Segurança da ONU permanecia dividido entre os dois projetos de resolução apresentados para tentar pôr fim às hostilidades na Geórgia, levando em consideração o acordo de paz francês, informaram diplomatas.

O embaixador da Rússia, Vitaly Churkin, declarou à imprensa após uma reunião do Conselho a portas fechadas que "espera o apoio dos Estados membros ao nosso projeto", apresentado na véspera.

O texto expressa o apoio do Conselho a um plano de seis pontos aprovado em Moscou no dia 12 de agosto pelos presidentes russo, Dimitri Medvedev, e francês, Nicolas Sarkozy, e menciona brevemente esses seis pontos.

Esse texto, no entanto, não faz nenhuma referência direta a um ponto fundamental para o Ocidente: o total respeito à integridade territorial da Geórgia.

O embaixador adjunto dos Estados Unidos, Alejandro Wolff, insistiu que o projeto era inaceitável para Washington. "Esperamos que a resolução (russa) não seja submetida a votação", disse. "Não podemos aprová-lo".

A Casa Branca, por sua vez, declarou nesta quinta-feira que a cooperação militar entre a Rússia e a Otan não poderá ser retomada até que a crise na Geórgia esteja totalmente resolvida.

"Não posso imaginar, nas atuais circunstâncias, um comprometimento de nossa parte numa cooperação militar com os russos, enquanto a situação na Geórgia não estiver resolvida", declarou à imprensa o porta-voz da Casa Branca, Gordon Johndroe, que está no rancho de Crawford (Texas, sul) com o presidente americano, George W. Bush.

Na terça-feira, a Rússia rejeitou outro projeto de resolução sobre a Geórgia, apresentado pela França, alegando que o texto não citava especificamente os seis pontos do acordo aceitos por Tbilisi e Moscou.

Na ocasião, Churkin explicou que era indispensável para Moscou a menção direta na proposta dos seis pontos do acordo de paz negociado anteriormente.

Entretanto, o projeto citava apenas dois desses pontos, referentes à retirada das forças russas e georgianas e seu retorno às posições ocupadas antes do início do conflito.

hc/ap/cn

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