O embaixador da Rússia na Otan, Dmitri Rogozin, afirmou nesta quinta-feira que Moscou está disposto a falar de tudo com a Aliança Atlântica, mas destacou as divergências que persistem entre as duas partes apesar da retomada anunciada de sua cooperação formal.

"Se conseguirmos restaurar um diálogo de confiança, poderemos conversar sobre todos os problemas do mundo", explicou Rogozin à imprensa.

Os chanceleres dos 26 países da Otan decidiram nesta quinta-feira reatar o diálogo com Moscou, após mais de seis meses de suspensão das relações formais de alto nível devido à guerra entre Rússia e Geórgia, em agosto de 2008.

"Trata-se de uma decisão positiva", considerou Rogozin, frisando que a primeira reunião de embaixadores acontecerá "em abril" para preparar a sessão ministerial, prevista, segundo a Otan, para antes de julho.

"Contudo, como lembrou (o secretário-geral da Otan) Jaap de Hoop Scheffer, nossas relações ainda não são das melhores", ressaltou o embaixador russo.

Conhecido por sua franqueza, Rogozin afirmou que "esperava" as críticas, reiteradas nesta quinta-feira pela Otan, sobre a atitude russa em relação à Geórgia. Ele denunciou mais uma vez a reação "irresponsável" dos aliados depois da intervenção russa na Geórgia.

Ele se declarou, porém, satisfeito de que estas divergências não impeçam a retomada do diálogo.

"Estamos prontos para falar destas críticas, e também da agressão perpetrada por Mikhail Saakashvili (o presidente georgiano)", afirmou, destacando que a "única condição" imposta por Moscou é ser tratado "de igual para igual".

Ele sugeriu que os diplomatas russos sejam no futuro mais envolvidos na preparação das reuniões entre a Rússia e a Otan.

Rogozin ainda disse que o Kremlin e os ocindentais também poderão conversar sobre o problema nuclear iraniano, "desde que o novo governo americano apresente algo mais concreto".

"Talvez o povo iraniano também esteja se sentindo ameaçado. Temos que escutá-lo, e prever algo para diminuir esta ameaça", explicou o embaixador russo.

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