Moscou, 30 dez (EFE).- A Rússia está revisando a avaliação negativa feita pela URSS de sua invasão ao Afeganistão, iniciada há 30 anos, afirmou o porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores russo, Andrei Nesterenko, em uma declaração divulgada hoje pelo site da Chancelaria.

"Como é sabido, essa ação (o envio de tropas ao Afeganistão) foi condenada pelas autoridades de nosso país, pois foi ilegal, esteve com as normas do direito internacional e levou à morte de grande número de nossos compatriotas e de afegãos", ressaltou o porta-voz.

Em 24 de dezembro de 1989, o Congresso de Deputados da União Soviética aprovou uma resolução que condenou, do ponto de vista moral e político, o envio de tropas soviéticas ao Afeganistão, que então já tinham começado a se retirar do país vizinho.

A declaração de Nesterenko é uma resposta ao jornal governamental "Rossiiskaya Gazeta" sobre o 30º aniversário do envio de tropas soviéticas ao Afeganistão, data lembrada este mês.

O diplomata acrescentou que, "agora, 30 anos depois, esses eventos são vistos de outra maneira; se revisa a avaliação de seu cenário político".

"Nosso país não só combateu no Afeganistão, mas também construiu", disse Nesterenko, acrescentando que, entre 1954 e 1989, com a ajuda da União Soviética, foram construídas mais de 140 empresas e infraestruturas, que eram a base da economia afegã.

O porta-voz da Chancelaria indicou que, no período da invasão soviética, "as pessoas (os afegãos) tinham trabalho estável e recebiam seu salário. Nos mercados, que no Oriente sempre foram e são um barômetro social, o comércio fervia".

Nesterenko disse que, atualmente, a Rússia participa ativamente dos esforços internacionais para estabilizar a complexa situação no Afeganistão. EFE bsi/an

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