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Rússia: Retirada gradual das tropas já começou

A retirada gradual das tropas russas do território gerogiano já começou, disse à BBC neste domingo, o major-general Vyacheslav Borisvov, comandante das forças russas na região. Ele afirma ter ordenado que os soldados sejam substituídos por agentes de paz e que a retirada já está em andamento.

BBC Brasil |

Apesar da declaração, o ministro da Defesa russo, Sergei Ivanov, disse em Moscou que a retirada ainda não havia começado e que o comandante poderia estar se referindo às preparações do Exército.

O secretário do Conselho de Segurança da Geórgia, Alexander Lomaia, disse que a maior parte das tropas já deixou a cidade de Gori, a 70 km da capital, Tbilisi, mas que ainda permanecem nas áreas próximas da cidade.

Segundo Lomaia, a movimentação das tropas, em uma circunferência de 40 quilômetros ao redor de Gori, parece ser mais uma tentativa de redisposição do que um esforço de retirada.

O correspondente da BBC na cidade, Gabriel Gatehouse, disse que apesar da presença militar russa ter sido reduzida, o Exército ainda controla as principais estradas de acesso à cidade e que não há sinais de tropas georgianas na região.

Acordo
A retirada imediata das tropas russas da Geórgia está prevista em um plano de paz proposto pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, e assinado no sábado pelo presidente russo, Dmitri Medvedev. O líder da Geórgia, Mikhail Saakashvili, já havia assinado o documento na sexta-feira.

O acordo prevê que os dois lados encerrem as atividades militares e retornem às suas posições originais de antes do início do conflito.

Apesar da assinatura, a Rússia não deu detalhes sobre um calendário para a retirada das tropas.

Ainda no sábado, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse que as tropas iriam permanecer no território da Geórgia pelo tempo que for necessário, até que medidas adicionais de segurança sejam tomadas.

Lavrov não especificou quais seriam essas medidas, mas disse que elas são necessárias já que a Geórgia continua "causando problemas" na região.

Sarkozy, que mediou as negociações de paz entre os dois, alertou as autoridades russas que, segundo o acordo, suas tropas estariam barradas de qualquer área urbana central na Geórgia.

No entanto, em uma carta endereçada ao presidente georgiano, Sarkozy disse que as tropas russas tinham o direito de patrulhar "poucos quilômetros" além da zona de conflito na Ossétia do Sul.

O presidente francês ressaltou ainda que os termos do acordo que permitiriam à Rússia adotar medidas adicionais de segurança "de nenhum modo limita ou coloca em perigo a liberdade de movimento e a viagem pelas estradas e ferrovias da Geórgia" e não se aplicaria a nenhuma cidade ou município.

"Estou pensando especialmente na cidade de Gori", disse Sarkozy.

Presença russa
Soldados russos agora estariam em controle de quase a totalidade da principal estrada O correspondente da BBC Richard Galpin, que viajou pela estrada que leva a capital da Geórgia, Tbilisi, à costa do Mar Negro, a oeste, disse que as forças georgianas parecem estar entregando o controle da estrada aos russos.

Segundo ele, havia um grande número de tropas russas na cidade de Senaki, ao oeste do país, no sábado.

Na cidade de Zestafoni, ele testemunhou o desespero dos residentes locais depois que rumores foram espalhados de que o Exército russo estava a caminho.Em um vilarejo, um soldado russo disse ao correspondente que ele pensava que seu destino final na missão na Geórgia seria Tbilisi - algo que o Kremlin nega.

Outro disse que acredita que as forças russas irão permanecer na Geórgia por até um ano.

Comunidade internacional
O Conselho de Segurança das Nações Unidas deve votar o rascunho de uma resolução para formalizar o acordo de cessar-fogo ainda neste domingo.

A chanceler alemã, Ângela Merkel, chegou em Tbilisi neste domingo, onde se encontrará com Saakashvili para discutir o conflito.

No sábado, o presidente americano George W. Bush afirmou que a assinatura de um acordo de cessar-fogo entre Rússia e da Geórgia trouxe "esperança" para a resolução dos conflitos.

Segundo ele, a Rússia deveria honrar o acordo e retirar suas tropas da Geórgia.Bush afirmou ainda que as províncias separatistas de Ossétia do Sul e a Abecásia são parte da Geórgia e que "não há espaço para debate" nesse assunto.

Há relatos de que o presidente da Geórgia concordou depois de muita relutância, a uma das cláusulas do documento - a de que participar de discussões internacionais sobre o futuro das províncias separatistas.

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