Rússia restringe venda de bebidas para combater alcoolismo

Moscou vai proibir o comércio de produtos com mais de 15 graus de teor alcoólico entre 22h e 10h

AFP |

A prefeitura de Moscou proibiu a venda de bebidas de alto teor alcoólico entre as dez da noite e as dez da manhã, em uma tentativa de reduzir o alcoolismo, que mata meio milhão de pessoas a cada ano na Rússia.

"A partir de 1º de setembro de 2010, a venda no varejo de bebidas com mais de 15 graus de teor alcoólico estará proibida entre 22h e 10h", informou a prefeitura de Moscou, acrescentando que a medida já foi firmada pelo prefeito Yuri Luzhkov. "É uma ótima medida, que permitirá reduzir o nível de alcoolismo entre a população", disse Yevgeny Briun, diretor dos serviços russos de toxicologia.

Alguns especialistas questionam a eficiência deste método de combate ao alcoolismo, afirmando que isto contribuirá para a venda ilegal de vodka e aumentará o número de vítimas de bebidas adulteradas. Na época soviética, quando havia proibição, era possível comprar vodka a qualquer hora com os taxistas de Moscou, lembraram vários cidadãos entrevistados pela AFP.

Desde 6 de agosto passado, vigora uma severa "lei seca" sobre os motoristas russos, mas segundo vários motoristas entrevistados, ela serviu apenas para aumentar o número e o valor dos subornos pagos à polícia.

As bebidas alcoólicas matam meio milhão de pessoas a cada ano na Rússia e reduzem a esperança de vida entre os homens (60 anos, segundo a OMS), inferior a de países pobres como Bangladesh e Honduras.

Alguns especialistas defendem o aumento do preço da vodka por meio de impostos, mas as autoridades temem uma onda de protestos. No momento, uma garrafa de meio litro custa 89 rublos (3 dólares).

O problema é agravado pelo fato de que quase a metade das bebidas alcoólicas consumidas na Rússia são produzidas clandestinamente, e vendidas ao preço médio de 35 rublos (um dólar), destacou Alexander Nemtsov, diretor do Instituto de Psiquatria de Moscou.

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