Rússia respalda liderança de Abbas para manter unidade palestina

Moscou, 22 dez (EFE). - O líder da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, reuniu-se hoje pela primeira vez com o presidente russo, Dmitri Medvedev, para assegurar o respaldo de Moscou em sua disputa com o Hamas e entre este movimento radical islâmico e Israel.

EFE |

"O número de problemas (no Oriente Médio) não diminui, mas devemos avançar", disse Medvedev a Abbas no começo da reunião no Kremlin, na qual disse ser favorável a uma "cooperação frutífera" com a ANP.

Abbas, por sua vez, destacou que a Rússia foi uma das primeiras a reconhecer o Estado palestino, em 1989, após o que a ANP abriu sua embaixada na capital russa.

"Desde então, avançamos pelo caminho da cooperação e coordenação entre as duas partes", indicou Abbas, que lembrou que a Rússia integra, junto aos Estados Unidos, a ONU e a União Européia (UE), o Quarteto de mediadores internacionais para o Oriente Médio.

O ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, expressou o apoio do Kremlin a Abbas perante a disputa entre os islâmicos do Hamas na trégua com Israel e as ameaças do Estado israelense de lançar uma operação em massa em Gaza, controlada pelo movimento radical.

"Respaldamos os esforços de Mahmoud Abbas para manter a unidade palestina, apesar das múltiplas provocações", disse Lavrov, que considerou o processo de paz no Oriente Médio ameaçado tanto pelos ataques terroristas dos islâmicos quanto pela política israelense de assentamentos.

O líder da ANP denunciou que os dirigentes do Hamas "complicaram em grande medida a realização da nova rodada do diálogo interpalestino", mas reafirmou seu compromisso com as conversas.

"Quero confirmar que continuo comprometido com a tarefa de obter a unidade palestina, e também respaldo os esforços empreendidos para isso pelo Egito, apesar dos erros cometidos pelo Hamas", disse Abbas em entrevista coletiva com Lavrov.

Por outra parte, Abbas assegurou que as eleições presidenciais e legislativas nos territórios palestinos "devem ocorrer simultaneamente" e serão convocadas quando for possível.

"Estamos preparados para realizar este pleito na primeira ocasião favorável que der", destacou Abbas, que, na semana passada, estava em Washington.

Na Cisjordânia, o mandato presidencial de Abbas expirará oficialmente em 9 de janeiro, embora a legislação palestina permita que continue governando até o começo de 2010, apesar da rejeição do Hamas.

O ministro de Exteriores russo, por sua parte, afirmou que a Rússia está disposta a dar ajuda financeira à ANP.

"Estamos prontos para incentivar a cooperação investidora de nossas companhias com a ANP. Temos planos concretos que serão negociados hoje no Kremlin", disse Lavrov sobre a reunião que Abbas manterá esta noite com o presidente russo, Dmitri Medvedev.

Já o chefe do Kremlin se mostrou satisfeito com o fato de Abbas ter se transformado no primeiro líder do mundo islâmico a visitar, na véspera, a Chechênia, o enclave separatista russo que está se reconstruindo após duas guerras de secessão com a Rússia.

"Conhecemos a experiência da direção chechena nos assuntos políticos e na esfera social", disse Abbas sobre a visita à Chechênia, onde lamentou o sofrimento do povo checheno durante a guerra, mas apoiou a política do Kremlin no Cáucaso.

Segundo fontes do Kremlin, Medvedev e Abbas pretendiam abordar hoje a necessidade de prosseguir a via marcada na conferência internacional de Annapolis, de novembro de 2007, e evitar tanto um confronto entre os diferentes movimentos palestinos como um novo conflito com Israel.

A Rússia, o único membro do Quarteto para o Oriente Médio que não considera o Hamas uma organização terrorista, acredita que, com esse fim, será muito importante a realização, em Moscou, na primeira metade de 2009 de uma conferência internacional sobre a região.

O Kremlin propõe que, ao contrário da reunião de Annapolis, a de Moscou não aborde só o conflito palestino-israelense, mas também os outros problemas que afetam a região, ou seja, Síria e Líbano.

A iniciativa russa conta há meses com a aprovação da ANP e também do presidente egípcio, Hosni Mubarak, e de outros líderes regionais, mas nem Israel nem os Estados Unidos respaldaram a medida.

Segundo o Kremlin, Rússia e ANP buscam possibilidades de ativar a cooperação bilateral, "com insistência em ajudar os palestinos a alcançar seus objetivos primordiais: criar um poder sólido, único e eficaz, e instituições estatais".

Outro tema da agenda são as perspectivas nas esferas comercial e de investimentos, a assistência econômica para "superar os problemas socioeconômicos mais urgentes" e também a promoção do turismo russo à Terra Santa. EFE si/db

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