Rússia rejeita trocar apoio sobre Irã por fim de escudo dos EUA

O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, rejeitou nesta terça-feira a alegação de que os Estados Unidos poderiam suspender os planos de estabelecer um escudo de defesa antimísseis no Leste Europeu em troca do apoio russo aos esforços para impedir que o Irã adquira armas nucleares. A declaração de Medvedev foi uma reação a uma reportagem publicada nesta terça-feira pelo jornal The New York Times .

BBC Brasil |


Reuters
Dmitri Medvedev em Madri, na Espanha

De acordo com o diário nova-iorquino, o presidente americano, Barack Obama, teria escrito uma carta ao líder russo para sugerir uma cooperação entre os dois países para bloquear o programa nuclear iraniano.

Segundo o New York Times, Obama teria afirmado que os Estados Unidos iriam recuar em seus planos de instalar um sistema de defesa antimísseis se a Rússia ajudasse a impedir o Irã de desenvolver armas de longo alcance. A carta, entregue em fevereiro, seria uma resposta a uma outra carta enviada pelo lado russo.

De acordo com Medvedev, a Rússia está pronta para cooperar sobre o Irã, mas descarta qualquer proposta que relacione a polêmica em torno do programa nuclear iraniano com o escudo americano.

"Se estamos falando de algum tipo de troca, o assunto não foi apresentado desta maneira, porque isso seria contraproducente", disse Medvedev, durante visita a Madri, na Espanha. "Nós já estamos trabalhando de perto com nossos colegas americanos sobre o impasse nuclear iraniano."

Os Estados Unidos afirmam que o objetivo do escudo antimísseis no
Leste Europeu é criar um sistema de defesa capaz de destruir mísseis
balísticos que poderiam ser disparados do Irã ou da Coreia do Norte.

Os militares iranianos dizem que seus mísseis tem um alcance de 2 mil
quilômetros e poderiam atingir alvos na Grécia, na Bulgária ou na
Romênia - todos países membros da Otan.

A Rússia se opõe ao escudo americano no Leste Europeu por considerá-lo uma ameaça direta. O presidente russo diz esperar que a situação se resolva agora que o governo americano está sob o comando de Barack Obama.

"Nossos parceiros americanos estão prontos para discutir esse problema, e isso já é positivo", afirmou Medvedev nesta terça-feira. "Alguns meses atrás, estávamos recebendo sinais diferentes (do governo americano)."

A reportagem publicada nesta terça-feira pelo New York Times
diz que o objetivo da carta enviada por Obama era dar ao governo russo "um incentivo para se juntar aos Estados Unidos em uma frente comum contra o Irã".

De acordo com o jornal americano Washington Post, uma autoridade anônima do governo americano teria dito que a carta incluía "a questão do sistema de defesa antimísseis e como isso se relaciona com a ameaça iraniana".

No entanto, uma autoridade do Kremlin disse à BBC que a carta americana apresentava apenas uma lista de temas para discussão, e não uma oferta de acordo de troca.

O ministro do Exterior da Rússia, Sergei Lavrov, já afirmou que negociações, e não ameaças, são a melhor forma de lidar com os temores gerados pelo programa nuclear do Irã.

Lavrov deve se reunir com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, na próxima sexta-feira. E no dia 2 de abril, Obama e Medvedev devem se encontrar em Londres.

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