Rússia rejeita com firmeza críticas do Ocidente a sua política no Cáucaso

A Rússia rejeitou energicamente nesta sexta-feira as críticas ocidentais em relação a sua política no Cáucaso e se prepara para assinar um acordo para instalar bases militares na Ossétia do Sul, sgundo dirigentes deste território separatista pró-russo da Geórgia.

AFP |

A chancelaria russa acusou o grupo dos sete países mais ricos do mundo (G7) de justificar as ações agressivas da Geórgia, por se opor à decisão de Moscou de reconhecer a independência de duas regiões separatistas georgianas.

"Em uma declaração divulgada em 27 de agosto, o G7 condena o reconhecimento por parte da Rússia da independência da Ossétia do Sul e da Abkházia", afirma um comunicado do ministério russo das Relações Exteriores.

"Esta postura é tendenciosa e tenta justificar as ações agressivas da Geórgia", acrescenta.

Os chanceleres dos países do G7 afirmaram na quarta-feira, em uma declaração conjunta, que a "decisão da Rússia (de reconhecer Abkházia e Ossétia do Sul) coloca em dúvida seu compromisso com a paz e a segurança no Cáucaso".

"Condenamos o excessivo uso da força militar por parte da Rússia e sua contínua ocupação de partes da Geórgia", destacava a declaração do G7, formado por Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Alemanha, Itália, Japão e Canadá.

O porta-voz da diplomacia russa, Andrei Nesterenko, também afirmou que a Otan ignorou em reiteradas ocasiões as leis e não tem o "direito moral" de comportar-se como mentor em temas internacionais.

"Nos últimos anos, a Otan, reiteradamente e de forma demonstrativa, ignorou a carta da ONU e outras normas da lei internacional. Não tem o direito moral de pretender um papel de mentor nas relações internacionais e julgar as ações de outros Estados", declarou Nesterenko à imprensa.

A Otan pediu nesta quarta-feira à Rússia que anule a decisão de reconhecer a independência das duas regiões separatistas georgianas da Abkházia e Ossétia do Sul e acusou Moscou de violar "as numerosas resoluções do Conselho de Segurança da ONU".

A Rússia enfrenta uma avalanche de críticas ocidentais por ter reconhecido a Abkházia e a Ossétia do Sul, duas zonas independentes da fato desde os conflitos do início dos anos 1990 após a dissolução da União Soviética (à qual pertencia a Geórgia).

O atual conflito explodiu quando o governo georgiano tentou neste mês recuperar o controle da Ossétia do Sul, e recebeu apoio russo. As tropas russas invadiram território georgiano e ainda se mantêm em algumas zonas, apesar de um cessar-fogo.

Depois de reconhecer os separatistas, a Rússia deve assinar, no próximo dia 2, um acordo que garantirá sua presença na região com a instalação de bases militares na Ossétia do Sul.

"A assinatura de um acordo de cooperação interestatal e de deslocamento de bases militares russas no território da Ossétia do Sul acontecerá em 2 de setembro", disse o vice-presidente do Parlamento sul-osseta, Tarzan Kokoiti.

A assinatura acontecerá no dia seguinte ao de uma reunião extraordinária da União Européia (UE) em Bruxelas, convocada pela França - atual presidente da UE - para discutir a crise no Cáucaso.

A reunião de cúpula da UE, no entanto, vai se abster de adotar sanções contra Moscou "porque o momento das sanções não chegou", afirmou uma fonte da presidência da França, país que preside neste semestre a UE.

"O Conselho Europeu dirá que o acordo de seis pontos deve ser aplicado integralmente. Enquanto isto não acontecer, o acordo segue em observação", disse a fonte, a respeito do cessar-fogo negociado pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy.

"Continuamos na fase de diálogo com Moscou, não na fase de sanções", acrescentou a fonte, antes de destacar: "Certamente, o momento das sanções não chegou".

Na quinta-feira, o ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, afirmou que a UE cogitava sanções contra Moscou, mas que a proposta não procedia de Paris.

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