Miguel Bas. Moscou, 2 nov (EFE).- O presidente russo, Dmitri Medvedev, conseguiu hoje que Armênia e Azerbaijão negociassem a solução do conflito de Nagorno Karabakh, em uma tentativa de recuperar o papel mediador da Rússia no Cáucaso, que foi questionado após a guerra com a Geórgia.

Conseguir reunir os presidentes da Armênia, Serge Sargsián, e do Azerbaijão, Ilham Alíev, já é uma conquista do Grupo de Minsk da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), mediador das negociações para solucionar o conflito e integrado por Estados Unidos, França e Rússia.

No entanto, as conquistas da reunião param por aí.

Medvedev foi o único dos três participantes que compareceu perante a imprensa para falar da declaração conjunta, assinada pelos três.

O chefe de Estado russo anunciou que Alíev e Sargsián concordaram em "continuar o trabalho para a solução política do conflito de Karabakh".

Os presidentes, diz o documento, "reiteraram a importância da continuação dos esforços mediadores dos co-presidentes do grupo de Minsk da OSCE com base na reunião de Madri de novembro de 2007 e nas discussões posteriores a fim de elaborar os princípios básicos da solução política".

Essas negociações deverão ser baseadas em "princípios e normas do direito internacional e em decisões e documentos aprovadas no dito marco", diz a declaração.

E cada "etapa e aspecto" das negociações deverão ser acompanhados por "garantias internacionais".

A Rússia, que em agosto interveio militarmente no conflito entre Geórgia e seus territórios separatistas da Abkházia e Ossétia do Sul e depois reconheceu suas independências, pretende intervir agora em conflitos de outros focos separatistas no espaço da antiga URSS, como em Karabakh, no Azerbaijão, e em Transnístria, na Moldávia.

"Os fatos de agosto demonstraram que todo problema grave deve ser resolvido partindo de princípios internacionais, com base nas negociações. Nenhuma outra forma dará resultados positivos", disse o presidente russo ao convocar a reunião de hoje.

No entanto, Transnístria e Karabakh servem ao Kremlin para reter a possível aproximação da Moldávia e do Azerbaijão com o Ocidente, da mesma forma que o reconhecimento da Abkházia e da Ossétia do Sul é uma clara advertência à Geórgia em sua aproximação com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Entre 1991 e 1994, o conflito entre Azerbaijão e Armênia pelo controle de Nagorno Karabakh, enclave armênio em território azerbaijano, resultou na morte de cerca de 25 mil pessoas dos dois lados e foi vencida pelos armênios, que contaram com o apoio técnico-militar da Rússia.

A derrota não só representou para o Azerbaijão a perda do enclave e a expulsão da população não armênia, mas as tropas e os separatistas armênios do Alto Karabakh ocuparam quase um terço de todo o território azerbaijano, com um saldo adicional de quase um milhão de refugiados internos no país do sul do Cáucaso.

As diferenças entre as partes são muito grandes, já que o Azerbaijão exige a retirada das tropas armênias, que seriam substituídas por forças de pacificação para conceder uma ampla autonomia a Nagorno Karabakh.

Por sua vez, Yerevan defende o direito à autodeterminação do enclave, embora vincule seu status definitivo à realização de um plebiscito, enquanto os separatistas abandonaram sua antiga exigência de integração na Armênia, mas não deixam de reivindicar independência.

Em 1993, a Organização das Nações Unidas (ONU) condenou em quatro resoluções diferentes a ocupação do enclave pelas tropas armênias e solicitou sua retirada imediata. EFE mb/ab/rr

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