Rússia recupera reputação de último czar

A Suprema Corte da Rússia determinou que o último czar, Nicolau 2º, e sua família foram vítimas de repressão política e deveriam ter sua reputação recuperada. A reabilitação do último czar da Rússia antes da revolução é esperada há muito tempo pelos descendentes da família Romanov.

BBC Brasil |

A decisão da Suprema Corte derrubou as determinações de cortes inferiores do país, que se recusavam a reclassificar as mortes.

Nicolau, sua esposa Alexandra, os cinco filhos do czar, o médico da família e três empregados foram mortos a tiros pelos revolucionários bolcheviques em julho de 1918, um ano depois da abdicação, com um pelotão de fuzilamento, sem direito a julgamento, na cidade de Yekaterinburgo.

Na maior parte do século 20 o czar Nicolau 2º foi oficialmente considerado como um tirano. Para o regime soviético, o czar personificava tudo o que os comunistas tentaram destruir na revolução de 1917.

Canonização
A Suprema Corte declarou que "não havia base para a repressão do czar Nicolau 2º e sua família e ordena sua reabilitação", afirmou o juiz russo nesta quarta-feira.

O correspondente da BBC em Moscou James Rodgers afirmou que, desde a revolução que tirou Nicolau 2º do poder, a Rússia o transformou em vilão e também mudou de idéia, chegando a reverenciar o último czar.

Ao executarem a família Romanov, os revolucionários tentaram evitar a volta do regime que tinham acabado de derrubar.

Desde o colapso da União Soviética, em 1991, as atitudes oficiais em relação à família real mudaram de forma dramática.

Em 1998 os restos mortais da família foram novamente sepultados em uma cerimônia solene em São Petersburgo. E a Igreja Ortodoxa russa canonizou a família.

Rodgers afirma que até o momento, apenas detalhes técnicos impediam que a família do czar fosse considerada vítima de repressão política.

Outras cortes russas tinham decidido que, como a família real não tinha sido condenada formalmente de nenhum crime, eles não poderiam ser reabilitados.

A decisão da Suprema Corte, segundo Rodgers, é simbólica, mas foi elogiada por monarquistas russos que faziam campanha pela recuperação da família real.

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