Rússia recorda o 5º aniversário do massacre na escola de Beslan

MOSCOU - Os sobreviventes e os parentes e amigos das vítimas do sangrento sequestro na escola de Beslan lembram nesta terça-feira o quinto aniversário do drama, enquanto o Cáucaso russo enfrenta uma nova onda de violência orquestrada pela guerrilha islamita.

Redação com agências internacionais |

Com flores nas mãos, centenas de habitantes desta pequena cidade da Ossétia do Norte se reuniram em frente às ruínas da escola Número 1, onde, há cinco anos, um comando de separatistas pró-chechenos manteve quase mil pessoas como reféns durante três dias.


Familiares das vítimas lamentam morte de reféns em Beslan / AP

Mas os familiares e amigos das 332 vítimas, entre elas 186 crianças, lamentam que as autoridades ainda não tenham tirado as lições desta tragédia e que nenhuma investigação independente tenha esclarecido as circunstâncias da tomada de reféns e da intervenção policial, desordenada, segundo inúmeros testemunhos.

"Há cinco anos, após Beslan, achamos que o mundo devia mudar", declarou Valentina Ostani, acompanhada de seu filho e de seu sobrinho. "Mas depois de tantos anos, vemos que nada mudou. Ainda temos medo de mandar nossas crianças para a escola porque há atos terroristas cada vez mais horríveis no Cáucaso do Norte", acrescentou.

Se este sequestro e seu desfecho sangrento marcaram o início de uma série de vitórias de Moscou contra os separatistas - principalmente com a morte em 2006 de seu organizador, o chefe de guerra Shamil Bassaiev -, a insurreição que abala o Cáucaso russo iniciou uma segunda fase de atos violentos há alguns meses.

Ainda nesta terça-feira, um atentado suicida, o oitavo em três meses, deixou um agente de alfândegas morto e 13 feridos no Daguestão. Desde junho, ao menos 259 pessoas morreram no Cáucaso russo, delas 109 policiais e militares e 110 supostos insurgentes.

Homenagem às vítimas

As cerimônias desta terça-feira em Beslan começaram ao som dos sinos da escola às 9h15 (2h15 de Brasília), hora exata do início do sequestro. Taimouraz Mamsourov, o presidente da Ossétia do Norte, cujos dois filhos sobreviveram à tomada de reféns, participou da cerimônia.

A organização "A voz de Beslan", que reúne as famílias das vítimas, vai realizar uma vigília de três dias em frente à escola.

Mas no resto da Rússia, não há previsão de nenhuma comemoração. O presidente russo, Dmitri Medvedev, não fez qualquer menção à tragédia em uma declaração de volta às aulas, que é divulgada tradicionalmente em 1º de setembro na Rússia.

Em Beslan, em memória às vítimas, os estudantes voltarão às aulas apenas no sábado.

Esta região foi palco de violências frequentes desde à queda da URSS, com principalmente duas guerras na Chechênia, e a Rússia conheceu diversas ondas de atentados organizados por militantes separatistas do Cáucaso e islamitas.

* Com AFP

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