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Rússia reconhece independência de regiões georgianas e sofre contestações

Moscou, 26 ago (EFE).- A Rússia reconheceu hoje as independências das regiões separatistas georgianas da Abkházia e da Ossétia do Sul, apesar das contestações do Ocidente.

EFE |

O presidente russo, Dmitri Medvedev, anunciou esta decisão em sua primeira mensagem televisiva à nação desde que chegou ao Kremlin, em maio, e após realizar uma reunião urgente do Conselho de Segurança da Rússia, no balneário de Sochi, no Mar Negro.

O chefe do Kremlin informou que tinha assinado os decretos sobre o reconhecimento da independência das duas regiões georgianas pela Rússia, e pediu a outros Estados que sigam seu exemplo.

"Levando em conta a livre expressão da vontade dos povos osseta e abkházio, (...), assinei os decretos sobre o reconhecimento, pela Federação da Rússia, da independência da Ossétia do Sul e da independência da Abkházia", disse.

Ele explicou que esta decisão se baseia nos postulados da Carta da ONU, na declaração de 1970 sobre os princípios do direito internacional para as relações amistosas entre os Estados e em outros documentos internacionais.

"Não foi uma opção fácil, mas é a única possibilidade de garantir a vida do povo", afirmou, em referência aos habitantes das duas regiões georgianas, que romperam com Tbilisi no início da década passada após a eclosão de conflitos armados.

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, pediu ontem ao Kremlin que não reconhecesse a independência da Abkházia e da Ossétia do Sul e que respeitasse a integridade territorial da Geórgia, depois das duas câmaras do Parlamento russo terem pedido a Medvedev o reconhecimento da independência das regiões.

Ao justificar sua decisão, Medvedev acusou o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, de "genocídio" por seu ataque à Ossétia do Sul, que levou a Rússia a intervir militarmente no conflito.

"Em 8 de agosto, Tbilisi fez sua opção. Saakashvili escolheu o genocídio para cumprir suas tarefas políticas", afirmou o presidente russo, que disse também que o dirigente da Geórgia, "com suas próprias mãos, afogou as esperanças de convivência pacífica de ossetas, abkházios e georgianos em um só Estado".

Para Medvedev, "as autoridades georgianas suscitaram um conflito armado, cujas vítimas foram civis, e a Abkházia esperava a mesma sorte".

"É evidente que Tbilisi esperava ganhar uma guerra relâmpago que colocasse a comunidade mundial perante um fato consumado", acrescentou.

O líder russo afirmou que a Geórgia, a Otan e a ONU "ignoraram" os esforços da Rússia para resolver os conflitos em ambas as regiões pela via diplomática, onde Moscou mantinha forças de paz, acusadas por Tbilisi de proteger os separatistas.

Medvedev disse que a Geórgia atuou encorajada por seus "mentores estrangeiros" e acrescentou que, nesta situação, os povos sul-osseta e abkházio "têm o direito de decidir por si próprios seu futuro".

Em entrevista ao canal de televisão em inglês "Russia Today", o chefe do Kremlin referiu-se à autoproclamada independência do Kosovo, aceita por muitos países do Ocidente, apesar dos protestos da Sérvia e da Rússia, que tinha advertido que esse precedente abriria "a caixa de Pandora".

"Nos diziam que o Kosovo era um caso especial, mas cada caso é especial por sua natureza. Kosovo, Ossétia do Sul, Abkházia: todas têm uma situação especial", disse Medvedev, que acrescentou que a Rússia não teme outra piora de suas relações com Ocidente.

"Não temos medo de nada, nem sequer da perspectiva de uma nova Guerra Fria, embora não a queiramos. Tudo depende da postura de nossos parceiros", declarou.

Para ele, "o Ocidente compreenderá os motivos" da decisão da Rússia, caso queira manter boas relações com o país.

Medvedev ordenou à Chancelaria que estabeleça relações diplomáticas com as regiões georgianas e prepare a assinatura de tratados de amizade e cooperação, e também exigiu ao Ministério da Defesa que "garanta a paz" nesses territórios.

A decisão do Kremlin foi recebida com grande alegria na Abkházia e na Ossétia do Sul, cujos líderes, Serguei Bagapsh e Eduard Kokoiti, respectivamente, pediram também a assinatura de acordos de cooperação militar e a instalação de bases russas em suas regiões.

Ao pretender a independência, a Abkházia não descarta entrar futuramente na Federação Russa, ao tempo que a Ossétia do Sul deseja se unir à república russa da Ossétia do Norte.

Diversos políticos russos louvaram a decisão de Medvedev, entre eles Ramzan Kadyrov, o presidente da Chechênia, onde mais de cem mil pessoas morreram nas duas campanhas militares do Exército russo para vencer as forças separatistas.

"Os passos dados pelo presidente Medvedev buscam salvar esses povos do genocídio e devolver a paz à explosiva região do Cáucaso", disse Kadyrov.

Em Tbilisi, o Ministério de Exteriores acusou a Rússia de "anexação aberta de territórios georgianos", enquanto o secretário do Conselho de Segurança Nacional, Aleksandr Lomaya, negou a validade jurídica da decisão do Kremlin e ameaçou romper relações com Moscou. EFE se/ab/gs

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